Curtindo a vereança adoidado!

Eder Brito

23 de setembro de 2015 | 15h18

Gosto muito da Sessão da Tarde. Como muitos brasileiros que nasceram nos anos 80, tive a chance de assistir a vários filmes clássicos daquela década, em tardes preguiçosas depois das aulas. Um dos meus favoritos, cult ainda hoje é “Curtindo A Vida Adoidado” (tradução famosa para o português de “Ferris Bueller’s Day Off”), com Matthew Broderick. Entre várias outras coisas divertidas, o filme mostra Ferris Bueller, personagem de Broderick, como um jovem aluno que pretende enganar a família e a escola para faltar às aulas e aproveitar um dia de sol. Finge estar doente, convida o melhor amigo para ajudar a enganar todo mundo e até prepara o quarto para simular sua presença.

Por isso foi grande o meu interesse quando soube que uma vereadora em Mogi das Cruzes-SP está sendo acusada de reproduzir técnicas de Ferris Bueller. Vera Lúcia Rainho, filiada ao PR e já na terceira legislatura na Câmara Municipal da cidade paulista, está sendo acusada de simular sua presença em um lugar que não estava. Explico melhor: Vera é médica e, além de vereadora em Mogi das Cruzes, também era contratada como plantonista no Pronto Atendimento em Biritiba Mirim, município vizinho. Funcionários do local teriam acusado a médica e vereadora de simular sua presença com travesseiros debaixo de um lençol.

É comum que médicos plantonistas tenham uma “salinha de descanso” nos hospitais, onde tiram um cochilo enquanto aguardam o surgimento de alguma demanda em seu período de trabalho. Segundo a acusação, ela teria saído do local e deixado os travesseiros lá, só fazendo volume. Todas as informações são do Diário de Mogi, jornal da cidade, cujo texto não deixa muito claro de onde partiram as acusações. Para confirmar esses detalhes e tentar ouvir Vera, fiz contato com sua assessoria, em seu gabinete na Câmara de Mogi. O assessor é muito simpático e solícito, (um abraço, Miguel!), mas até agora não consegui conversar com a vereadora.

Vera já vinha sendo investigada pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, em uma ação civil de improbidade administrativa referente a enriquecimento ilícito contra a vereadora. A ação foi motivada por uma denúncia do PCB – Partido Comunista Brasileiro. O presidente do diretório municipal da legenda acusa a vereadora de acumular cargos públicos, trabalhando como médica simultaneamente em três municípios, em horários incompatíveis.

Onde há fumaça, há fogo? Não sei e não tenho o direito de concluir, principalmente sem conseguir falar com a vereadora. Mas onde há hospitais, nem sempre há médicos. E onde há travesseiros, nem sempre tem alguém dormindo.

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