Criança pode fazer política? Sim!

Camila Tuchlinski

27 de outubro de 2017 | 07h01

Neste mês de outubro, em que é celebrado o Dia da Criança, 350 alunos estiveram na capital federal vivendo a experiência de serem parlamentares por dois dias. Trata-se do projeto Câmara Mirim, evento que acontece todos os anos e é organizado pelo Plenarinho, portal infantojuvenil da Câmara dos Deputados.

Só para se ter uma ideia do tamanho dos pequeninos que começam a lidar com a política, são alunos do 5º ao 9º ano do ensino fundamental, ou seja, crianças entre 11 e 15 anos de idade. Essa é uma fase extremamente importante para o desenvolvimento do indivíduo. Ele já formou sua personalidade – por volta dos seis anos – e, agora, depois de ter passado pela fase da socialização com os amiguinhos, começa a lidar com a aceitação do grupo. É justamente neste período que a criança, chamada por alguns de ‘pré-adolescente’, tem a noção de unidade: formar um time de futebol na escola para ganhar um campeonato, juntar a sala toda para conquistar o principal prêmio da rifa da festa junina, etc. Essa “unidade” é uma das particularidades da política (para o bem ou para o mal, né?). Ser político é ter poder de persuasão para convencer seus pares, juntar ideologias comuns, unidade partidária, criar coligações.

Nos dois dias em que estiveram na Câmara, os estudantes passaram por todas as fases de um processo legislativo: elaboraram projetos de lei, discutiram e votaram. Eles formaram comissões para analisar os projetos de lei assim como acontece, por exemplo, na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) ou na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos). Neste ano, os três projetos de lei selecionados foram os de Bianca França de Oliveira, 12 anos, de Presidente Médici (RO); Caio Vinicius Santiago Simas, 12 anos, de Joinville (SC); e João Otávio Turatti Barbosa, 13 anos, de Monte Carmelo (MG). O projeto de Bianca, por exemplo, propõe padronizar a data de validade de produtos para facilitar a visualização pelo comerciante. O de Caio sugere que documentos escolares de refugiados sejam traduzidos para o português. E o de João estabelece que, a cada seis meses, uma equipe multidisciplinar de saúde atenda as crianças em escolas públicas. No final, os estudantes participaram do processo de votação do texto no Plenário Ulysses Guimarães.

A única ironia é que os estudantes “trabalharam” em uma quinta e sexta-feira, quando normalmente os deputados têm um ritmo muito menor de desempenho. Aliás, no último dia útil da semana, os nobres parlamentares nem ficam em Brasília. Imagine uma sessão em uma sexta-feira? Como dizem que “é de pequenino que se torce o pepino”, a gente deseja que essa nova geração venha com a crença de que transparência, honestidade e dedicação são os principais ingredientes para que o Brasil avance, de verdade.

Lista das escolas participantes:

  • E.E. Coronel Virgílio Rosa (Monte Carmelo/MG);
  • Colégio Machado de Assis (Joinville/SC);
  • Colégio Global (Joinville/SC);
  • Colégio Marista (Goiânia/GO);
  • EMEIF Boa Vista (Acará/PA);
  • E.M. Maria das Mercês Aguiar (Ibirité/MG);
  • Colégio Santa Rosa (Brasília/DF);
  • E.M. Profa. Zilma Thibes Mello (Sorocaba/SP);
  • Escola da Natureza e CEF 02 (Brasília/DF);
  • Escola Atual (Águas Claras/DF);
  • Partido Mirim (Brasília/DF);
  • E as câmaras mirins de Ponta Grossa/PR, de Belo Horizonte/MG e de Blumenau, Jaraguá do Sul, Biguaçu e Gaspar, em Santa Catarina.

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