Como acabar com o mosquito

Humberto Dantas

25 de abril de 2016 | 06h09

A resposta à pergunta acima tem mobilizado milhões de brasileiros que sonham em arrefecer os efeitos dizimadores da dengue e de outras doenças transmitidas pelo Aedes. Não se trata de uma tarefa simples, mas deixemos muito claro que nem todo mosquito precisa ser tratado desse jeito.

Em Nova Europa, cidade com pouco mais de 10 mil habitantes no interior de São Paulo, quem governa é Osvaldo Aparecido Rodrigues – hoje com cerca de 70 anos de idade. Em 2013, quando saía de casa, foi agredido por um casal que buscava entender porque a mulher havia sido demitida da Prefeitura. Ocupando cargo de livre provimento, daquele tipo que não oferta garantias trabalhistas e tampouco precisa de justificativa para desligamentos, a indignação levou ao extremo. Quando ouviram do prefeito que “não havia motivo”, segundo notícia do jornal Tribuna, de Araraquara, partiram pra cima do mandatário e lhe agrediram fisicamente, lhe derrubando, chutando o rosto e o corpo, e tomando-lhe o aparelho celular da Prefeitura. Osvaldo foi levado à Santa Casa e o casal foi preso.

Mais recentemente, faz poucos dias, uma cidadã o encontrou na rua enquanto esperava pra ser atendida em uma unidade de saúde – a notícia deu no rádio de Araraquara. Indignada com a extrema demora, o chamou e passou a desancar suas mágoas e agruras. O prefeito não deixou por menos e respondeu os reclames no mesmo nível, promovendo intensa discussão. Clima tenso. O “problema” é que a briga foi registrada pela cidadã no celular, que passou a ameaça-lo de divulgar o áudio nas redes sociais. Para completar, sentindo-se ofendida, abriu Boletim de Ocorrência contra o prefeito. E o caso ainda terá desdobramentos jurídicos e políticos. Certamente.

Importante registrar, a despeito de outras passagens com o prefeito, incluindo acusações de compras realizadas de maneira ilícita, o apelido de Osvaldo. O prefeito é regionalmente conhecido como Mosquito, mas nesse caso não é chutando, agredindo ou tentando matar que os problemas serão resolvidos. Em caso de insatisfação, o melhor repelente é a consciência política, que deve ser utilizada nas urnas, em outubro, para manter ou acabar de vez com o que parte dos cidadãos pode entender como um mal desnecessário…

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