‘Chorando’ por R$ 0,50?

Camila Tuchlinski

23 de janeiro de 2015 | 08h00

Na calada da noite da última semana do ano, as redações jornalísticas de São Paulo recebem o seguinte e-mail da Prefeitura: ‘Passe livre de estudante será regulamentado em duas semanas’. Parecia bom demais para ser verdade. Porém, a informação mais importante estava láááá no meio do texto: tarifa de ônibus vai a R$ 3,50. Ao mesmo tempo, o governo do Estado declara que o aumento do preço do metrô também seria inevitável. Ambos garantiram que o valor seria abaixo da inflação.

A primeira coisa que vem à cabeça: onde foram parar as milhares de pessoas que saíram às ruas em 2013 enfatizando ‘20 centavos não’? Na época, o preço do transporte público passaria de R$ 3 para R$ 3,20, lembra?

Bom, provavelmente os estudantes estavam em férias e nem ficaram sabendo ainda do reajuste. Ao mesmo tempo, na última sessão do ano, a Câmara Municipal de Vitória, no Espírito Santo, aprovou o passe livre para todos os estudantes de baixa renda.

No caso da capital paulista, a Prefeitura também garantiu que, antes do início das aulas, o passe livre para alunos de baixa renda seria regulamentado, numa parceria com o governo estadual, que decidiu estender o benefício para metrô e trens.

Mesmo assim, o Movimento Passe Livre já fez três protestos neste início de 2015. No primeiro, logo de cara, a Polícia Militar prendeu mais de 50 manifestantes sob alegação de tumulto. Nos outros também houve detidos. O prefeito Fernando Haddad e o governador Geraldo Alckmin ainda não entendem o teor dos protestos já que, na visão deles, o benefício do passe livre será concedido a quem reivindica.

Será que o movimento só luta pelos estudantes de baixa renda, como pensam as autoridades? Separei um trecho do próprio site do MPL nacional. Tire suas conclusões:

“O MPL é um grupo de pessoas comuns que se juntam há quase uma década para discutir e lutar por outro projeto de transporte para a cidade”.

Em nenhum momento a página do movimento cita que o grupo é composto por estudantes, embora recebe o apoio da UNE e UNEE.

Enquanto isso, a tarifa aumenta em várias cidades do Brasil. Em Cotia, na Grande São Paulo, por exemplo, o preço do ônibus foi de R$ 2,60 para R$ 3,20. No Rio de Janeiro, o aumento foi de quarenta centavos – o Ministério Público do Estado considerou o reajuste abusivo. Em Manaus, o valor subiu em R$ 0,25. E o povo sofre!

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