Café, chimarrão e responsabilidade fiscal

Eder Brito

16 de outubro de 2013 | 12h45

Por Eder Brito

Promulgada em maio de 2000, a Lei de Responsabilidade Fiscal veio para “estabelecer normas de finanças públicas”, “prevenir riscos” e “corrigir desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas”. Diminuição ou extinção de cargos, cancelamento de contratos, cortes bruscos e desalmados no orçamento: desde o advento da lei, os Prefeitos têm feito de tudo para conseguir cumprir as metas e manter os números equilibrados, evitando problemas com os Tribunais de Contas e principalmente a temida impossibilidade de reeleição ou de candidatura para outros cargos. Até aí nenhuma novidade. A novidade vem mesmo em forma líquida e com cheirinho bom quando analisamos dois municípios: Salto do Jacuí, no Rio Grande do Sul e Várzea Grande, no Mato Grosso.

Salto do Jacuí é considerada a “capital gaúcha da energia elétrica”, sede do Complexo Hidrelétrico do Sistema Jacuí, responsável por aproximadamente 30% da energia consumida pelos gaúchos. Mesmo com a prosperidade do setor, a situação que o Prefeito Altenir Rodrigues da Silva (PP) encontrou quando assumiu a gestão do município em 2013 não era das melhores, definitivamente. Com uma receita anual de R$ 2 milhões e dívidas na casa dos R$ 8 milhões, ele se viu obrigado a diminuir 80% dos cargos de confiança e a… suspender o fornecimento de café e erva-mate para as repartições. “Nós continuamos oferecendo café para o público, mas os funcionários trazem seu próprio café e sua própria erva-mate. Não houve necessariamente um corte, sempre foi mais ou menos assim”, revela Altenir, em entrevista exclusiva ao blog do Humberto. “Eu mesmo sou desta terra e tomo chimarrão das sete da manhã às seis da tarde. Não tem como ficar sem”.

No Mato Grosso, o cafezinho foi suspenso na Prefeitura de Várzea Grande. A “acusação” de ambiente de trabalho descafeinado partiu de um servidor que não se identifica, em entrevista à imprensa local. Segundo o funcionário público, o Prefeito Walace dos Santos Guimarães (PMDB) também decidiu cortar o mal fiscal pela raíz do café. A medida suspenderia o fornecimento de café, chá e açúcar para todas as Secretarias de Governo. A assessoria de imprensa da Prefeitura foi procurada e não soube confirmar e nem desmentir a informação. O Secretário de Administração do município, Celso Barreto, indicado como melhor fonte para explicar o caso, não foi encontrado para explicar o motivo dos cortes.

 

 

 

 

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