Aqui se faz gostoso!

Humberto Dantas

25 de novembro de 2013 | 08h00

Dizem que Touros é a esquina do continente. O município, localizado no litoral do Rio Grande do Norte, a cerca de 100 quilômetros da capital, guarda o marco inicial da BR 101, que termina 4.542 quilômetros depois no outro Rio Grande, o do Sul. A cidade também possui o que se considera o maior farol do país. Uma estrutura de 62 metros e quase 300 degraus. Ali, onde o vento faz a curva, existia uma cidadezinha simpática chamada São Miguel de Touros. Mas quis o destino que a localidade passasse a se chamar, por vontade popular, de São Miguel do Gostoso. O motivo? Deve existir, mas antes disso uma certeza: “aqui se faz gostoso!” Pelo menos é o que dizia a placa oficial da estrada e um portal da cidade, que repete a frase nas mais diversas línguas dando as boas vindas a milhares de turistas do mundo todo. A grande maioria visita a praia em busca das excelentes condições para a prática de esportes a vela no mar. Ali, literalmente, onde o vento faz a curva!

 

A cidade de São Miguel, autônoma, é nova. A emancipação veio somente em 1993, e legalmente por meio de um plebiscito. O problema foi que um só não deixou a população satisfeita. O município que completou 20 anos em julho fez nova consulta em novembro de 2000. Os moradores sentiram falta do nome. Por que São Miguel de Touros e não São Miguel do Gostoso? Touros é a vizinha, a origem! Já Miguel oferta homenagem ao santo padroeiro da primeira igreja erguida no finzinho do século XIX. Era uma promessa de Miguel Félix Martins. Mas Gostoso… Ahhhh Gostoso… Gostoso é homenagem a Seu Gostoso, ou melhor dizendo: Manoel Gostoso, que abrigava mascates em sua casa no século XIX e lhes contava histórias deliciosas, maravilhosas, gostosas. Seu Manoel virou Seu Gostoso, e o local ficou conhecido como tal: Gostoso. Uma delícia!

 

Tão agradável que nas eleições de 2004, ainda sob o nome de São Miguel de Touros por aparente descuido dos arquivos do Tribunal Superior Eleitoral, as coligações enfatizavam o plebiscito que ofertou novo nome à cidade. Lá estava a candidatura do comerciário Miguel Teixeira, do PPS, intitulada: “avança Gostoso”. Fosso um diretor de cinema gritando no set de filmagem logo pensaríamos besteira. Contra ele um desejo mais democrático. O professor Paulo Roberto, pelo PMDB, se candidatava com um sentimento plural de “Gostoso para todos”. PFL e PT também lançaram nomes, mas nenhum endossado por posições tão criativas. Assim, sequer somaram 300 votos. E o que deu? Deu gostoso, é claro. O “avança” teve vantagem pouco superior a 50 votos sobre o “para todos”. Em 2008 a dupla dividiu Gostoso novamente, e Miguel foi reeleito. Nos registros do TSE nada de coligações inspiradoras. Elas voltariam em 2012, com Fafá do PMDB e seu “Unidos por Gostoso”. O adversário não coligou, e assim, a união fez a força, a força de Gostoso!

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