A pauta é do leitor

Humberto Dantas

01 de junho de 2015 | 07h01

Desde que esse blog nasceu não foram poucos os textos inspirados por amigos que enviaram notícias por e-mail ou mensagem nas redes sociais. As pessoas se lembram de nós, e a prática não ocorre apenas comigo, mas também com o Eder e a Camila – os grandes caras desse timaço que montamos aqui.

Pois é. Semana passada o meu texto foi inspirado por uma aluna de Limeira, que me contou sobre o professor achincalhado pela direção escolar. Hoje vou juntar duas postagens: de uma ouvinte da Rádio Estadão e de um amigo do Facebook. Nesse segundo caso ele me chama a atenção para matéria que seria, e foi, veiculada em programa dominical da TV Record. No relato as velhas práticas de sempre: a empregada doméstica e o empacotador de supermercado que foram utilizados como laranjas em esquemas de corrupção da prefeitura. São milionários sem saber, e como não sabem morrem de sede e sofrem em longas caminhadas. A reportagem, nesse caso, destaca a ausência de transporte escolar e de modais públicos. Sobra pra quem? Pro “pau de arara”, que obviamente finda se tornando negócio. Mas e a água? As denúncias dão conta de que moradores que não votaram no prefeito – e olha que o voto é secreto! – são punidos com a ausência do “bem essencial à vida”. Tudo isso em Pilão Arcado, Bahia. E o meu amigo de lá desabafou essa semana no Facebook: “entramos para o ranking das más notícias há muito tempo. Foram várias (…) Fomos piada no Casseta e Planeta. Sofremos os piores assaltos a banco. Fomos a força tirados da antiga sede da cidade. Temos a pior educação do país” etc. Diante dos fatos relatados lembrei o documentário de Marcelo Brennand – Porta a Porta: a política em dois tempos – quando em 2008 um candidato à prefeitura de Gravatá-PE denunciava seu adversário. Do alto do palanque ele dizia que a cidade vivia sob um esquema de caminhões pipa, negócio de aliados do coronel local. E afirmava que se eleito a cidade voltaria a ter água encanada, pois a barragem pertencia a ele – outro negócio, né coronel?

Termino o texto trazendo a denúncia de nossa ouvinte na rádio. As obras do Museu do Trabalhador em São Bernardo do Campo-SP estão paradas e atrasadas – pelo menos era isso o que ocorria em fevereiro e mantinha-se assim desde maio de 2015… 2014… 2013!!! Na placa oficial do empreendimento a data de inauguração foi coberta por uma tarja preta – e haja “tarja preta” pra aguentar o descaso com o dinheiro público. Reportagem do pessoal do jornalismo da Universidade Metodista, uma das grandes escolas do Brasil nessa área, dão conta que tudo começou em abril de 2012 e a previsão era de nove meses para inaugurar algo que certamente pode ser visto sob dois lados: o trabalhador brasileiro, no berço do “sindicalismo moderno” merece um memorial, mas a obra é partidarizada demais e o espaço poderia ser utilizado para algo “mais útil” – é o que sugerem as visões dos entrevistados. Para além disso: temos o problema da grana – não estou falando do prefeito da cidade vizinha que se chama Grana! A previsão inicial falava em pouco menos de vinte milhões de reais, sendo a imensa maioria do Ministério da Cultura (mais de quatorze milhões) e quase quatro da prefeitura. Caro? Barato? O fato é que além de estarmos falando apenas da obra de construção, o pior tipo de desperdício é a obra parada. E lá se vão cerca de três LONGOS anos desde que o Tribunal de Contas do Estado viu irregularidades na licitação e mandou parar o empreendimento. A obra para, o transporte não funciona, a água não chega, o dinheiro público se esvai e os exemplos de nossos queridos leitores continuam chegando. Pobre democracia… E tem gente sonhando em resolver o Brasil por Brasília. Procure perto de casa, pelo micro a gente acerta o macro!

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