A morte e a posse – fatalidades que alertam para cuidados nas vidas dos prefeitos

Humberto Dantas

27 Março 2017 | 07h10

Semana retrasada estive numa atividade da Fundação Milton Campos. Trata-se da instituição de educação e doutrinação do Partido Progressista (PP), e todos os partidos no Brasil são obrigados a ter algo desse tipo. Tais organizações sobrevivem com o equivalente a 20% do Fundo Partidário, o que se aproxima da casa dos R$ 200 milhões por ano. Isso significa muito dinheiro público para os 35 partidos educarem seus filiados e interessados. Muito bacana.

A Milton Campos é mais uma fundação que atendo. Já fiz algo no campo do conhecimento de ciência política pras organizações do PSDB, Novo, PSB, DEM, PSD, PT (não sei exatamente se as aulas aqui foram pra Perseu Abramo ou para o partido) entre outros. Gosto desses convites, pois entendo que estou contribuindo para debater, construir, ensinar e aprender aspectos de nossa política.

No evento do PP conheci Maria José de Sousa Moura, eleita vice-prefeita de Santana do Piauí-PI. Ao se apresentar ela contou que na manhã da posse, dia 01 de janeiro de 2017, o prefeito sofreu um acidente. A fatalidade ocorreu numa rodovia estadual, e ele colidiu seu carro frontalmente contra um ônibus, de acordo com a Agência Brasil, e morreu no local. A posse estava marcada para às 15h e faltando dez horas Chico Borges (PTB), o eleito, faleceu.

Mas essa não é a única ocorrência desse tipo com os eleitos em 2016. Em Alcobaça-BA, o vice-prefeito Marcinho (PR) sofria de doença cardíaca e faleceu no hospital dois dias antes da sua posse. O coração também vitimou Léo Silva (PSB), prefeito eleito de São Felipe do Oeste em Rondônia, apenas dois dias depois da posse. Seu vice, Marcicrenio, o Márcio da Agrovem, assumiu a cidade.

Nesses casos não existe nova eleição ou algo do tipo, e em comum aqui em nossa reflexão fica a fatalidade de a morte chegar pouco antes ou pouco depois da posse, e o fato de todos eles serem jovens, com idades na casa dos 40 anos. Serve de alerta para os políticos cuidarem da saúde e respeitarem os limites de uma sensação de que devem estar sempre preparados. Não existe bom governo, e tampouco bom governante, se os limites do corpo e da mente não forem respeitados. Fatalidades existem, cuidado também.