Tecnologia: formar para transformar a sociedade

Tecnologia: formar para transformar a sociedade

REDAÇÃO

16 de novembro de 2021 | 15h20

Kelly Lopes, Empreendedora Social e Superintendente do Instituto da Oportunidade Social – IOS. Graduada e pós-graduada em Tecnologia da Informação, Especialista em Gestão para o Terceiro Setor, MBA em Gestão Empresarial pela FGV e MBA em Gestão de RH Estratégico. Também, é vice-presidente voluntária do Projetos Amigos das Crianças – PAC

Já se sabe que a área de Tecnologia pode sofrer “apagão técnico” até 2024 pela falta de até 290 mil profissionais qualificados. Dados da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) mostram que a demanda anual do setor é de 70 mil novos profissionais, porém, apenas 46 mil pessoas se formam por ano no Brasil com o perfil necessário para essas vagas.

Para superar o gargalo desse mercado com mais agilidade, empresas têm investido na formação de seu próprio pessoal por meio de parcerias com centros e ONGs especializados em formação para jovens que desejam ingressar na área de Tecnologia.

A formação profissional complementa a educação básica e ajuda o ingresso de jovens no mercado de trabalho. Segundo análises realizadas pelo Instituto da Oportunidade Social (IOS) – que atua na formação gratuita de jovens e pessoas com deficiência para o mercado de trabalho em parcerias com empresas de diversos setores – as empresas ainda concentram suas ofertas de emprego em jovens com diversas qualificações técnicas, incluindo conhecimento avançado em idiomas.

A falta de formação educacional agrava ainda mais esse cenário, especialmente entre os mais pobres. Jovens negros de 14 a 29 anos são maioria nas estatísticas de evasão escolar no ensino básico. Eles somam 71,7% dos alunos que abandonam os estudos (Pnad/2019). Entre as razões, a dificuldade de deslocamento até a escola e a necessidade de complementar a renda familiar.

A pandemia tornou ainda mais distante o acesso às oportunidades. O jovem de periferia, em geral, forma-se no ensino médio e precisa primeiramente de um emprego para poder entrar na faculdade – e esta costuma ser paga. Prova disso é que 74% dos jovens cursam a graduação no ensino particular. As empresas não entendem isso e exigem que primeiro ele esteja na faculdade para depois dar a ele a oportunidade de emprego. Por isso, esse descompasso, o que atrasa o ingresso no mercado de trabalho.

Com a adoção do ensino remoto, mais um fator surgiu para atrapalhar as chances de quem queria estudar: o acesso limitado à internet e a falta de equipamentos – o que tem distanciado ainda mais a população pobre das oportunidades de formação, emprego e renda.

O impacto sobre o futuro das transformações digitais que queremos, por mais contraditório que possa parecer, precisa urgentemente do ser humano. O ensino profissionalizante pode e deve ser a solução para minimizar esse gap.

No Brasil, mais de 5,9 milhões já desistiram de procurar emprego e mais de 14,8 milhões ainda esperam por trabalho, maior taxa histórica do século XXI e os jovens entre de 18 a 24 anos representam 31%, segundo dados do IBGE. A oferta de vagas de estágio caiu 34% na comparação do 1º trimestre de 2021 com o mesmo período de 2020, segundo o CIEE. Entre abril e novembro de 2020, foram fechadas 86.731 vagas só de jovens aprendizes.

O desenvolvimento profissional precisa caminhar junto com esses índices alarmantes. Este cenário escancara o despreparo das escolas públicas na abordagem da educação profissionalizante, tornando possível faltar recursos humanos para a área de TI em um país com tanta gente buscando trabalho!

A oportunidade para essas pessoas pode estar no desenvolvimento de novas habilidades na área de Tecnologia, mas em um formato mais ágil que o oferecido na formação universitária nos moldes atuais. Com a participação ativa das empresas para acelerar essas formações. Quem pode esperar mais quatro ou cinco anos para se formar em uma nova profissão?

Apenas 18,1% dos jovens entre 18 e 24 anos estão matriculados no ensino superior e somente 17,4% das pessoas de 25 anos ou mais concluíram uma graduação, de acordo com dados do Instituto Semesp. Isso só dificulta traçar um horizonte mais promissor para a transformação digital que vamos precisar.

A formação profissional é uma forma de inclusão, não apenas ao mercado de trabalho, mas à sociedade de forma geral, pois é um caminho para transformar realidades. Há nele um potencial para aumento da qualidade de vida de uma parcela significativa da sociedade entregue ao alento e à desesperança de desenvolver uma carreira profissional promissora.

A primeira oportunidade de trabalho conquistada por alunos do IOS na área de tecnologia chega a aumentar a renda das suas famílias em até 49%, após a conclusão de cursos gratuitos que duram apenas seis meses. Esse é um plano de futuro. É um modelo sustentável de inovar na educação e permitir acesso ao emprego e renda de qualidade e com desenvolvimento de carreira.

É preciso se preparar para não parar! Esse não é mais artigo sobre falta de mão-de-obra qualificada em Tecnologia. É um alerta para que empresas, governo, ONGs e sociedade se juntem em um modelo de futuro que pode trazer mais igualdade de trabalho e renda. Precisamos dessa rede para deixar de ser o Brasil dos apagões e formar os serviços essenciais de um futuro cada vez mais acelerado!

Sobre o IOS

Comprometido com a empregabilidade de jovens e pessoas com deficiência que tenham menor acesso às oportunidades do mercado de trabalho, desde 1998 o IOS desenvolve projetos de formação profissional gratuita em temas variados. “Administração” e “Tecnologia” compõem a grade de cursos, além do enfoque comportamental. Qualificado como Entidade Beneficente de Assistência Social certificada pelo CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), o IOS já formou mais de 40 mil profissionais para os setores de Tecnologia da Informação, Administração, RH e Atendimento ao Varejo. A instituição é mantida por empresas privadas como a TOTVS – sua fundadora e principal mantenedora -, Dell, Microsoft e Zendesk. Juntam-se a este grupo empresas que realizam doações via Incentivo Fiscal, como a Arcos Dorados, BASF, Banco IRB, Brasilprev, Cielo, CTG, Clear Corretora, Hyundai, IBM, Instituto Center Norte, Isa CTEEP, Mattos Filho, Mercado Livre, Vale, entre outras. Mais informações: https://www.ios.org.br

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