Socialistas exitosos, mas extrema-direita cresce em Portugal

Socialistas exitosos, mas extrema-direita cresce em Portugal

REDAÇÃO

01 de fevereiro de 2022 | 11h56

Larissa Cote, Mestranda em Gestão de Empresas pela Universidade Lusófona de Lisboa e Graduada em Administração Pública (FGV-EAESP)

“Maioria absoluta”. Este era o objetivo do PS (Partido Socialista) durante a campanha para as eleições legislativas de Portugal que ocorreram no dia 30 de janeiro de 2022 e, surpreendendo as pesquisas anteriores, foi o que se concretizou nas mesas de voto.

Na sondagem realizada pela Pitagórica para a CNN Portugal e para a TVI e divulgada no dia 28 de janeiro, dois dias antes das eleições, o PS apareceu com 36,6% das intenções de voto, enquanto o PSD (Partido Social Democrata) apresentou 32,9% dos votos, ou seja, empate técnico devido à margem de erro. Essa indefinição do cenário político português apontava para uma improvável maioria absoluta desejada pelos socialistas e a possibilidade de construção de uma nova “geringonça” à direita.

A “geringonça” existente durante o governo do PS de António Costa desde 2015 contava com o apoio do PCP (Partido Comunista Português), PEV (Partido Ecologista “Os Verdes”) e o BE (Bloco de Esquerda). Contudo, tal articulação viu-se impossibilitada de continuar após a proposta de orçamento de Estado apresentada pelos socialistas ser chumbada no parlamento com votos contra dos partidos PSD, BE, PCP, CDS-PP, PEV, Iniciativa Liberal e Chega.

As eleições ocorreram neste ambiente de descontentamento por parte dos comunistas e do bloco de esquerda em relação ao orçamento proposto, porém o resultado “saiu pela culatra”. Enquanto os socialistas tiveram maioria absoluta no parlamento, tais partidos viram o número de deputados eleitos decrescer.

No domingo, 31 de janeiro, os socialistas saíram vitoriosos com a tão desejada maioria absoluta, elegendo 117 deputados (41,68% dos votos) em relação ao total de 226 eleitos neste domingo. O segundo partido mais votado foi o PSD com 71 deputados (27,8% dos votos).

Por meio dos votos, a direita não teve a possibilidade de articular-se à la “geringonça” com o resultado abaixo do esperado obtido pelo PSD, todavia outros resultados mostram que não se pode fechar os olhos para extrema-direita. Na eleição com a menor abstenção em 10 anos (42%), o Chega!, extrema-direita portuguesa, passa de um para 12 deputados no parlamento e apresenta-se como a terceira maior força política do país.

O partido, que faz manifestações públicas de racismo e xenofobia, encabeçadas pelo seu líder André Ventura, passa a ser o terceiro maior grupo representado no parlamento. Em meio a este cenário de maioria absoluta dos socialistas, a IL (Iniciativa Liberal) também cresce, mostrando a relevância da nova direita portuguesa que passa a ter 8 representantes no parlamento.

Restam as dúvidas em relação ao comportamento futuro da maioria absoluta dos socialistas. Por fim, questiona-se como as instituições portuguesas vão reagir com o crescimento da relevância da extrema-direita no parlamento e quais os riscos para a recente democracia de Portugal com o aumento da representação do partido populista Chega! nas arenas públicas.

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