Ponte do Abunã pode tornar Acre centro logístico e produtivo

Ponte do Abunã pode tornar Acre centro logístico e produtivo

REDAÇÃO

07 de maio de 2021 | 14h44

Nota técnica do Ipea avalia potencial com interligação da região a portos do Pacífico

Pedro Baros, Técnico de Planejamento e Pesquisa da Diretoria de Estudos e Relações Econômicas e Políticas Internacionais (Dinte/Ipea)

Luciano Wexell Severo, Professor da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) e Pesquisador (Ipea)

Cristovão Henrique, Professor da Universidade Federal do Acre (UFAC) e Pesquisador (Ipea)

Helitton Christoffer Carneiro, Mestrando em Economia Aplicada pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) e Pesquisador (Ipea)

A ponte do Abunã, inaugurada nesta sexta-feira (7/5), poderá tornar oEstado do Acre em um novo centro logístico e produtivo do país. Esta avaliação está em nota técnica preliminar publicada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que trata da ponte que permitirá a interligação dos portos peruanos do Pacífico e ainda do território da Bolívia à hidrovia do Rio Madeira e aos Estados da região Norte e Centro-Oeste do Brasil.

“As obras de integração poderão possibilitar que os volumes de produção e de comércio do Acre, junto aos dos Estados vizinhos, acumulem ganhos de escala, fator fundamental para tornar viável a rota interoceânica rumo aos mercados regionais da costa do Pacífico das três Américas e da Ásia”, concluiu ainda o estudo coordenado pelo pesquisador Pedro Silva Barros, da Diretoria de Estudos e Relações Econômicas e Políticas Internacionais do Ipea.

Desde 2010, o Acre é o único Estado brasileiro que tem dois vizinhos fronteiriços entre os cinco principais compradores externos. Juntos, Bolívia e Peru respondem por 25% do total das exportações acreanas. No entanto, antes da inauguração das pontes de Assis Brasil-AC e Epitaciolândia-AC, o Estado não exportava regularmente para estes países vizinhos e, em 2003, não havia registrado nenhuma venda para a Bolívia nem para o Peru.

Outros Estados brasileiros também tendem a ganhar com a interligação e o potencial aumento do fluxo comercial, como no caso de Rondônia que, nos últimos 20 anos, multiplicou em 23 vezes o valor das vendas ao comércio externo e registrou aumento das exportações de US$ 59 milhões para US$ 1,37 bilhão. As vendas rondonienses de carnes refrigeradas aumentaram mais de cinco vezes desde 2015 e alcançaram US$ 121,7 milhões em 2020. O atual principal destino dessas exportações é o Chile, com quase 70% do total (US$ 82 milhões), e outro mercado emergente é o Peru, com US$ 6 milhões, sendo que estas cresceram 28 vezes nos últimos cinco anos.

Os pesquisadores também destacam na nota as possibilidades de se promover novas vias de escoamento da produção agrícola da região Centro-Oeste, em especial do Mato Grosso. “Há 25 anos, pouco se questionava a quase exclusividade do transporte rodoviário em direção aos portos de Santos-SP e Paranaguá-PR. Apesar da desconfiança, vem prevalecendo o progressivo poder de atração da infraestrutura logística dos portos do Arco Norte”, avaliam. Em 2020, as exportações mato-grossenses foram escoadas por meio de portos localizados no oceano Atlântico, sendo 66% nas regiões Sul e Sudeste e 33% nos portos do Arco Norte.

ANEXO 1 – Mapa 1 – América do Sul – Portos da bacia Amazônica

O estudo ainda identificou situações em que pode haver ganhos logísticos com a interligação com os portos do Pacífico, como, por exemplo, para a aquisição de fertilizantes pelo Mato Grosso. Quase 90% do produto que o Estado importa do Canadá entra no Brasil pelos portos de Santos-SP e Paranaguá-PR e poderia chegar mais rapidamente pelo Pacífico. Em outro caso parecido, Rondônia importa azeitonas do Peru por aqueles mesmos portos do Sudeste e do Sul.

A PONTE DO ABUNÃ E A INTEGRAÇÃO DA AMACRO AO PACÍFICO

Pela primeira vez por rodovia o Acre a outros capitais do país sem a necessidade de balsa. Esse empreendimento completa a infraestrutura rodoviária entre Rondônia e o Pacífico, um esforço histórico que perpassou várias décadas e diferentes governos.

A ponte do Abunã abre um panorama promissor para o comércio exterior e o desenvolvimento dos Estados da Amacro. Planejada como uma Zona de Desenvolvimento Sustentável, a Amacro envolve 32 municípios do sul do Amazonas, do leste Acre e o norte e oeste de Rondônia. Trata-se de um acrônimo das siglas iniciais dos três Estados que a conformam. A região nasce com o potencial de integrar-se com os países sul-americanos e com os dinâmicos mercados asiáticos, por meio de rotas bioceânicas e portos do Pacífico.

ANEXO 2 – Mapa 2 – América do Sul – Eixo de Integração – AMACRO e MATOPIBA

E essa Nota Técnica Preliminar apresenta a evolução do comércio exterior dos Estados do Acre, Amazonas, Rondônia e Mato Grosso nos últimos 20 anos, analisa a dinâmica das exportações e importações de seus principais produtos, avalia as mudanças no ranking de principais parceiros comerciais, os meios de transporte e localização dos registros de entrada e saída dos bens negociados por esses quatro Estados entre 2000 e 2020.

REFERENCIAS

BARROS, P. SEVERO, L. W., RiBEIRO SILVA, C. H., CARNEIRO, H. C. A Ponte do Abunã e a Integração da Amacro ao Pacífico. Ipea: 2021.  https://bit.ly/3uvZjS5

Assessoria de Imprensa e Comunicação

61 99427-4553

61 2026-5136 / 5240 / 5191

ascom@ipea.gov.br

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.