Outliers, influencers e outsiders na Câmara dos Deputados brasileira: novos atores em novas plataformas políticas?*

Outliers, influencers e outsiders na Câmara dos Deputados brasileira: novos atores em novas plataformas políticas?*

REDAÇÃO

20 de julho de 2021 | 19h00

Fernando Wisse, Doutorando em Ciência Política pela Universidade Federal do Paraná e pesquisador do Grupo de Pesquisa Atores, Instituições e Tecnologias Digitais (GEIST). E-mail: fernandowisse@gmail.com

Sérgio Braga, Professor de Ciência Política do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política (PPGCP) da UFPR, pesquisador do INCT-DD (https://inctdd.org/) e bolsista produtividade nível 2 do CNPq. E-mail: sssbraga@gmail.com

Rafael Linhares e Padilha, Graduando em Ciências Sociais com ênfase em Ciência Política pela UFPR, bolsista PIBIC-CNPq e pesquisador do Grupo de Pesquisa Atores, Instituições e Tecnologias Digitais (GEIST). E-mail: rafaellinhares3030@gmail.com

Introdução: outliers e outsiders como problemas de pesquisa empíricamente orientada **

Não é nenhuma novidade que Facebook, Instagram, Twitter, Youtube, WhatsApp e tantas outras mídias digitais que fazem parte do cotidiano dos brasileiros estão cada vez mais ganhando espaço no mundo político. Com a diversidade de ferramentas digitais disponíveis, principalmente a partir dos anos 2000, e o custo decrescente, quando não nulo, de acesso a essas mídias, diferentes atores políticos (e os deputados federais entre eles) as tem usado com cada vez mais intensidade. E isso ocorre tanto no período das campanhas eleitorais quanto no decorrer dos mandatos, com uma presença permanente dos políticos nas mídias digitais e a manutenção de um fluxo constante de interação com os cidadãos.

Esse fenômeno não ocorre por acaso: ele é fruto, primeiramente, de uma intensa difusão das redes sociais, do acesso à informação e da democratização da internet e das tecnologias digitais na sociedade. Assim, com uma maior quantidade de pessoas conectadas, a consequência lógica desse processo é a adaptação dos políticos a esse novo ambiente informacional, já que o comportamento racional da maior parte dos agentes políticos é “ir aonde o povo está” (e, dentro desse povo, especialmente seus potenciais eleitores e eventuais apoiadores), ou seja, se integrar às plataformas que são usadas pelo público para consumo, entretenimento e fonte de informações. Sendo assim, os próprios atores políticos se encarregam, em sua prática, de resolver o falso dilema entre o “consumidor” e o “cidadão”, ao divulgar intensamente informações políticas em plataformas criadas com a intenção inicial de promover e estimular o consumo dos indivíduos.

Naturalmente, esse movimento traz consigo vantagens e desvantagens, provocando impactos nas relações entre deputados e cidadãos, fornecendo soluções e criando externalidades positivas para os processos de representação política, mas também gerando novos problemas. A título de exemplo de consequências negativas imprevistas, podemos mencionar a intensificação e maior impacto das estratégias discursivas envolvendo “fake news” ou desinformação, especialmente em mídias digitais não-públicas de difícil rastreamento, tais como o Whatsapp, Telegram e outras, além de manipulação algorítmica e o uso não autorizado ou intransparente dos dados disponibilizados pelos cidadãos nas plataformas digitais.

Por outro lado, o estreitamento das relações de representação política e o aumento da eficiência dos processos de accountability (responsividade e prestação de contas) e de interação entre os cidadãos comuns e os representantes via ferramentas digitais, representam um benefício de seu uso. Além disso, há evidências crescentes do surgimento de novos atores políticos a partir da atuação nas plataformas digitais, com “influencers”, “youtubers” e produtores de conteúdo nas plataformas digitais tendo papel cada vez mais significativo no agendamento do debate público e muitos se tornando, eles próprios, atores políticos, militantes de causas sociais e influenciadores da opinião pública a partir de sua atuação nas mídias digitais.

Nesse contexto, é de se imaginar que parlamentares mais novos e aqueles estreantes na política (os famosos “outsiders”, em oposição aos “estabelecidos”) utilizam com mais eficiência e intensidade tais mídias, arregimentando uma maior quantidade de seguidores em suas redes sociais e dando um toque de renovação em seus mandatos. Mas será que de fato isso ocorre? Ou seja, parlamentares que usam com mais intensidade as mídias digitais (que aqui denominamos “outliers”), de fato, são estreantes na atividade política (outsiders)? Formulando de outra maneira: as mídias digitais estão se configurando como plataforma de acúmulo de capital político, diminuindo as barreiras à entrada (financiamento de campanha, redes de contato previamente construídas, acúmulo de expertise política) que beneficiam os parlamentares “estabelecidos” na carreira parlamentar?

Para responder a essas indagações analisaremos algumas evidências sobre o uso das tecnologias digitais pelos deputados federais na atual legislatura, cotejando-as com características da carreira política dos parlamentares. Buscaremos apresentar dados sobre quem são os deputados federais “influencers” ou “outliers” nas redes sociais mais utilizadas por eles, tais como o Facebook, e o Instagram. Para isso, primeiro é necessário apresentar informações gerais sobre a utilização de mídias digitais por esses políticos na atual legislatura.

Gráfico 01 – Uso das mídias digitais pelos deputados federais brasileiros (2019-2020)

Fonte: Base de Dados do grupo de pesquisa.

O gráfico acima mostra a porcentagem de parlamentares brasileiros conectados nas principais mídias digitais. Podemos observar que as três mídias em que os deputados federais estão mais presentes são, em ordem decrescente, o Facebook (98.1%), a Wikipedia (97.7%), que consideramos aqui uma rede social digital por possibilitar a redação de perfis biográficos dos deputados a partir de um processo colaborativo, e o Instagram (96.9%). O Twitter (87.9%) e o Youtube (83.4%) aparecem logo em seguida. As outras duas que foram objeto de nossa pesquisa durante os anos de 2019-2020, tais como websites (57.7%) e Flickr (41.5%), são ferramentas digitais mais antigas cujo uso pelos parlamentares é menor ou decrescente devido ao maior custo de entrada e manutenção ou, então, ao seu menor uso pelo público. Vimos assim que, conforme detectado em estudos anteriores sobre eleições (Braga & Carlomagno, 2018), há praticamente uma inclusão digital generalizada dos parlamentares com todos os políticos, nos vários níveis de representação, sendo usuários de alguma mídia digital, embora com variáveis graus de intensidade.

Para responder de maneira fundamentada às indagações anteriores, cabe esclarecer alguns conceitos centrais norteiam a presente abordagem. O primeiro é a noção de parlamentares outsiders. Embora haja um amplo debate na literatura especializada sobre o assunto, para a presente análise, classificaremos os parlamentares em três grupos numa versão adaptada da classificação de Carreras (Carreras, 2012): (i) em primeiro lugar, os outsiders, ou seja, aqueles deputados que não exerceram nenhum cargo político parlamentar eletivo antes de 2018, sendo, portando, “caras novas” no Congresso na atual legislatura; (ii) em segundo lugar, os “não-outsiders” ou “estabelecidos”, que são aqueles parlamentares que exerceram mandados de deputado federal e eram candidatos à reeleição; (iii) por fim, os “mavericks” que são aqueles parlamentares que tinham uma carreira legislativa prévia, em outros níveis de representação, mas nunca haviam exercido mandados de deputado federal anteriormente ou que fizeram um reposicionamento político recente, filiando-se a novos partidos. Como outliers usaremos a definição estatística convencional computando aqueles que estão situados fora de um intervalo de confiança de 1,5 numa distribuição interquartílica.

Antes de efetuar tal caracterização convém ainda apresentar a distribuição dos “estabelecidos”, “outsiders” e “mavericks” na atual legislatura, tal como caracterizados acima. Para tanto, e dado o alto grau de fragmentação partidária na Câmara dos Deputados brasileira, agregaremos os partidos brasileiros em cinco subgrupos:

  1. Nova esquerda: PSOL, Rede. São aqueles partidos que surgiram como cisões ou dissidências de agremiações de esquerda estabelecidas e institucionalizadas, especialmente o PT.
  2. Esquerda tradicional: PCdoB, PT, PDT, PSB, PV. Partidos já estabelecidos no parlamento brasileiro desde a redemocratização e atuantes ao longo de várias legislaturas.
  3. Centro-fisiológico tradicional (“Centrão”): MDB; Solidariedade; PHS: PRB; PR; PSD; PRP; PTC; DC; PMN; PRB; PR; PP; Republicanos. Agremiações que apoiaram sucessivos governos de perfil programático diferente ao longo do processo político brasileiro e sem identidade programática precisa, atuantes em várias legislaturas.
  4. Centro-direita tradicional: PSDB; PPS-Cidadania, DEM; PTB. Partidos de perfil programático mais definido e com atuação ao longo de diversas legislaturas.
  5. Nova direita: NOVO, PSL; PODE; PROS; PATRI; AVANTE; PODEMOS. São partidos que se originaram recentemente de cisões de agremiações de centro e de direita estabelecidas ou serviram de suporte para candidaturas personalistas no plano federal e estadual.

Agregados os dados, obtemos a seguinte tabela:

Tabela 01 – Estabelecidos e outsiders segundo grupos partidários (2019-2020)

Fonte: Base de dados do Grupo de Pesquisa (Geist).

Pela tabela, podemos observar uma distribuição com certa homogeneidade, verificando-se, no entanto, uma maior concentração de parlamentares “estabelecidos” na esquerda tradicional, e uma concentração de “outsiders” em partidos da nova direita, destacando-se o Novo e o PSL, ambos partidos estritamente vinculados à imagem do atual presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nas últimas eleições. Ainda, podemos notar uma maior quantidade de parlamentares mavericks no subgrupo referente ao centro fisiológico tradicional. Resta agora verificar se estes outsiders estão vinculados a um acúmulo de capital político prévio nas redes digitais e em que grau. Para isso, definiremos quais são os parlamentares outliers nas duas principais redes digitais e verificaremos se eles são diferentes dos demais grupos.

Outliers, influencers e outsiders no Facebook

No tocante ao Facebook, verificamos ao todo 50 deputados outliers, assim distribuídos. O critério para a definição do “indice de presença no Facebook” foi a soma de curtidas e seguidores dos deputados nesta plataforma no período imediatamente após a posse.

Gráfico 02 – Deputados federais outliers ou “heavy users” do Facebook (n = 513)

Fonte: Base de dados Geist.

É interessante visualizar alguns nomes que recentemente ficaram conhecidos na política nacional. Um deles é o outlier-outsider de São Paulo, Kim Kataguiri (DEM), um exemplo de deputado federal eleito para seu primeiro mandato com apenas 23 anos de idade e que conseguiu uma alta votação (465.310 votos) no pleito de 2018, com base em forte atuação nas redes digitais. Outros, como o Pastor Marco Feliciano (Pode-SP), o ex-candidato à presidência Aécio Neves (PSDB-MG) e Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), por exemplo, já possuíam carreiras políticas prévias sendo portanto parlamentares estabelecidos.

A partir disso, é possível formular algumas indagações: i) qual é a média de idade e de votos recebidos dos deputados federais que mais possuem seguidores no Facebook?; e ii) seriam os outliers, outsiders?

Quando olhamos para o caso do Facebook, é possível perceber que aqueles deputados federais que mais possuem seguidores nessa rede social também possuem uma média de idade significativamente menor e obtiveram uma votação mais alta em 2018, como mostra a seguinte tabela:

Tabela 02 – Médias de idade e votos X Presença no Facebook

Fonte: Base de dados Geist.

Percebemos que aqueles parlamentares outliers possuem uma média de idade menor (44 anos), cinco anos inferior à dos usuários comuns (49 anos). Também a votação recebida pelos outliers é significativamente superior à dos usuários normais, com uma média de aproximadamente 200 mil votos, enquanto os não outliers possuem uma média de apenas 93 mil votos. Ou seja: o uso intensivo da internet é indicador de diferenças significativas entre os perfis de parlamentares distintos, com uma geração de parlamentares mais jovens e mais bem votados com forte presença nas mídias digitais.

Em relação à segunda indagação (serão esses “heavy users” estreantes na atividade política?), podemos respondê-la baseados nas evidências apresentadas abaixo.

Tabela 03 – Outliers no Facebook X deputados outsiders

Fonte: Base de dados do Geist e TSE.

Pela tabela acima, podemos observar que, embora haja alguma diferença entre os subgrupos (com cerca de 34,0% dos parlamentares outliers, sendo também outsiders, por exemplo, em contraste com apenas 23,3% de estabelecidos), tais diferenças não são suficientes para serem consideradas estatisticamente significativas, ou seja, o R (Resíduo Padronizado) situa-se entre -1,9 e +1,9. A partir desses dados, podemos, portanto, concluir que não existe uma diferença significativa entre as condições de ser outlier e, concomitantemente, outsider para o caso do Facebook.

Ou por outra: esses dados evidenciam que existe um grande contingente de deputados “estabelecidos” que já acumulavam capital político e social no Facebook durante o exercício do mandato e que tal acúmulo foi estatisticamente semelhante obtido pelos “outsiders” durante o período eleitoral. Podemos inferir também, a partir dos dados coletados, a realização de “campanha permanente” pelos deputados federais “estabelecidos” através das mídias digitais, com uma crescente profissionalização de seu uso, mostrando que a presença nas redes digitais mais utilizadas, a exemplo do Facebook, tornou-se um importante ativo dos políticos no exercício do mandato, sendo usado também durante os pleitos eleitorais (Carlomagno & Braga, 2019).

Outliers e outsiders no Instagram

Podemos agora definir o universo de “outliers” no Instagram. Ao contrário do que fizemos no Facebook, no entanto, computamos apenas o número de seguidores dos deputados nessa plataforma, que são os dados disponibilizados nesta rede social sobre a presença on-line do político. Os outliers do Instagram podem ser visualizados através do seguinte diagrama de caixa:

Grafico 03 ─ Boxplots de seguidores no Instagram dos deputados federais brasileiros (2019-2020)

Fonte: Base de dados do grupo de pesquisa.

Esse gráfico ilustra os valores atípicos por estado, obtidos a partir da distribuição interquartílica de cada unidade da federação. Podemos visualizar que o parlamentar com maior índice relativo de presença no Instagram é o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), seguido pelo deputado pastor Marcos Feliciano (Pode-SP), por Joice Hasselman (PSL-SP), e pelo Sargento Fahur (PSD-PR), todos eles, com exceção deste último, eleitos pelo estado de São Paulo, onde observamos uma maior concentração de parlamentares outliers, sendo que esta é a única unidade da federação com resíduo padronizado maior que 1,9 (R ajustado = 2,3). A partir da aplicação destes critérios, obtivemos um universo de 62 deputados federais outliers, assim distribuídos por agrupamentos partidários:

Tabela 04 – Deputados federais outliers X subgrupos partidários (2019-2020).

Fonte: Base de Dados Geist.

Pelos dados da tabela acima verificamos um padrão diferente dos observados no Facebook, com partidos da nova esquerda e da nova direita tendo um percentual significativamente superior de parlamentares “outliers” em comparação com as demais correntes partidárias. Outro achado relevante é o de que, inversamente ao Facebook, os parlamentares do centro fisiológico estabelecido possuem um resíduo padronizado significativamente negativo no tocante aos outliers, evidenciando um uso mais convencional da internet por parte deste subgrupo partidário.

No tocante à relação entre médias de idade e de votos obtidos no pleito de 2018, e a presença dos parlamentares no Instagram, os dados são os seguintes:

Tabela 05 ─ Médias de idade e votos X presença no Instagram

p idade = 0,000; diferença de média = 9,07;

p votos = 0,000; diferença de média = 106.687,87

Fonte: Base de dados do Grupo de Pesquisa.

Assim como no caso do Facebook, no Instagram se observam diferenças de média significativas entre os dois grupos, confirmando nossa expectativa de que o uso das midias digitais é mais intenso entre parlamentares mais jovens e com maior potencial de voto. Entretanto, podemos perceber que as diferenças de média entre outliers e não-outliers no caso do Instagram são superiores, indicando que neste caso de uma mídia digital de uso mais recente os parlamentares que foram mais bem votados são mais jovens do que no caso do Facebook, o que pode ser um indício de perfis diferentes de uso das duas mídias digitais, uma de uso mais antigo e “estabelecida” e outra de uso mais recente por um subgrupo de deputados mais conectados com as inovações digitais.

Para verificar a proposição de se os outliers podem ser considerados “outsiders” ou não, utilizaremos o mesmo método empregado para a caracterização do fenômeno no Facebook.

Tabela 06: Outliers no Instagram X deputados outsiders (n = 513)

Fonte: Base de dados do Grupo de Pesquisa.

O teste do Qui-quadrado (p = 0,000) mostra que, no caso do Instagram, há relação entre o fato do deputado ser outlier e ser “outsider”, ou seja, aqueles mais presentes nesta mídia social são de fato, em média, aqueles que iniciaram sua carreira política como parlamentares na última legislatura. Isso indica que as mídias de uso mais recente podem ser aquelas mais empregadas pelo deputados “outsiders”, mais jovens e conectados com as tecnologias digitais, quem empregam uma estratégia comunicativa mais atualizada. Esse talvez seja o caso de outras mídias digitais como o Youtube e o Whatsapp também. Entretanto, como esta última não é uma mídia pública onde os dados sobre as informações que circulam na redes sejam de acesso amplo, trata-se de uma hipótese de difícil confirmação ou refutação. Assim, podemos afirmar que nossa expectativa inicial foi parcialmente confirmada.

Conclusões

Para concluir, podemos elencar os achados do presente artigo em seis pontos:

i) os partidos pertencentes à esquerda tradicional apresentam uma maior concentração de deputados federais estabelecidos;

ii) partidos situados na nova direita apresentam uma maior quantidade de outsiders;

iii) aqueles parlamentares que já conquistaram cargos eletivos, mas nunca o de deputado federal, os “mavericks”, estão mais concentrados em partidos do centro fisiológico tradicional;

iv) tanto no Facebook quanto no Instagram a média de idade dos parlamentares outliers é menor e a sua média de votação é maior em comparação com os não-outliers;

v) para o caso do Facebook não existe diferença entre ser concomitantemente outlier e outsider, indicando que os parlamentares estabelecidos já acumulavam capital político e social nessa mídia, equivalendo-se ao obtido pelos deputados outsiders;

vi) para o caso do Instagram, os deputados federais com mais seguidores na rede são de fato aqueles que iniciaram sua carreira política como parlamentares na última legislatura, usando também intensamente esta ferramena digital ao longo do exercício do mandato.

Por fim, se há alguma prescrição a ser derivada deste artigo, é a de que há evidências crescentes de que a presença constante nas mídias digitais, assim como a manutenção de uma estratégia profissionalizada de comunicação nestas redes pode trazer ganhos significativos aos políticos, sendo uma ferramente auxiliar no processo de criação de inteligência coletiva no exercício do mandato e acúmulo de capital político.

Notas

* Uma versão preliminar deste estudo foi originalmente apresentada no I Colóquio do Observatório de Elites: Políticos Profissionais em Análise, promovido pelo Observatório das Elites Políticas e Sociais do Brasil (Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade Federal do Paraná). Essa e outras pesquisas estarão publicadas em um livro digital em breve. Acesso ao evento: http://www.cienciapolitica.ufpr.br/coloquioelites/

** Este artigo foi elaborado no âmbito do projeto de pesquisa “Profissionalização política, tecnologias digitais e as funções desempenhadas pelos e-parlamentos: um estudo comparado das Assembléias e Câmaras Legislativas brasileiras (2019-2023)”, financiado pelo CNPq (Chamada CNPq 06/2019 – Bolsas de Produtividade em Pesquisa, processo 311675/2019-0). Agradecemos aos bolsistas Maria Cristina Gomes Cassaro (PIBIC-UFPR), Hanna Marcon (PIBIT-UFPR), João Felipe Kahali (Fundação Araucária-UFPR) e Mayara Gomes (pesquisadora voluntária-UFPR) que auxiliaram no processo de coleta de dados para elaboração deste artigo no período de janeiro de 2019 a fevereiro de 2020.

Referências

BRAGA, Sérgio et. al. “Americanização” da representação política virtual? Um estudo comparado das estratégias de comunicação digital por parlamentares de diferentes sistemas políticos. Revista Ibero-americana de Estudos Legislativos, 2021 (no prelo).

BRAGA, Sérgio; CARLOMAGNO, Márcio. Eleições como de costume? Uma análise longitudinal das mudanças provocadas nas campanhas eleitorais brasileiras pelas tecnologias digitais (1998-2016). Revista Brasileira de Ciência Política, v. 26, p. 7-62, 2018.

CARLOMAGNO, Márcio; BRAGA, Sérgio; WISSE, Fernando. Gabinetes digitais: o papel da comunicação online na rotina parlamentar. E-Legis. Revista Eletrônica do Programa de Pós-Graduação da Câmara dos Deputados, v. 12, p. 104-132, 2019.

CARRERAS, Miguel. The Rise of Outsiders in Latin America, 1980-2010: An Institutionalist Perspective. Comparative Political Studies 45(12): 1451–82, 2012.

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