Cotidiano de uma guerra que nos atordoa

REDAÇÃO

01 Março 2018 | 08h47

Rafael Alcadipani, é professor do departamento de administração da FGVSP e colaborador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Criminosos fortemente armados, inclusive com armas de guerra como fuzis e explosivos, foram surpreendidos por um grupo de operações especiais da PM. Saldo da situação: sete mortos.  Se por um lado é auspicioso saber que nenhum policial ou pessoa não envolvida na ocorrência se feriu. Por outro, jamais se deve comemorar uma ocorrência em que há óbitos, pois quando defendemos o confronto na próxima situação a sorte dos policiais e de pessoas do público pode ser diferente. A vida de policiais está em risco, assim como das demais pessoas do público, quando criminosos possuem armamento pesado. Já vimos inúmeros exemplos em que policiais e pessoas que passavam por perto foram mortas neste tipo de situação.

Em boa parte do mundo, pessoas com fuzis e explosivos representam uma ameaça a sociedade, as forças de segurança e a si próprias. Um tiro de fuzil ou a explosão de uma dinamite pode matar mais de uma pessoa e criar um verdadeiro caos. Por isso, quem está com arma de guerra precisa ser neutralizado de forma rápida e com o menor dano possível. Concomitantemente, em boa parte do mundo uma ação policial em que há sete mortos é investigada na minúcia tanto para saber se vidas de agentes das forças de segurança e dos demais não foram colocadas em risco sem necessidade quanto para se verificar se não houve excesso no uso da força policial.

No Brasil, toda vez em que a policia termina por neutralizar de forma letal uma pessoa que é uma ameaça há uma divisão muito forte de opiniões. Alguns elogiam fervorosamente os policiais e defendem que eles precisam matar para acabar com os criminosos. Outros, saem criticando fortemente a ação policial sem saber os detalhes do que aconteceu, sem que uma investigação tenha sido concluída.

Considero que precisamos ter mais sobriedade nesses momentos, pois esta divisão de opiniões tende a gerar um debate acalorado que deixa a questão central intocada: qual a sociedade que permite que criminosos tenham acesso tão fácil a armas de guerra? Onde estamos errando para que isso aconteça?

O que podemos fazer para resolver este problema? Somente a reflexão profunda a respeito destas  perguntas irão permitir que possamos sair desta situação que transforma as nossas cidades em verdadeiros campos de guerra onde qualquer um pode ser a vítima, inclusive os próprios policias.

Precisamos incentivar as ações policiais em que não há mortos. Não podemos insistir nos erros que colocam as forças de segurança e os criminosos em um bang-bang sem fim. Iremos resolver nossos problemas de Segurança Pública quando começarmos a combater as suas causas e não ficar apenas lidando com as suas consequências.