Mais mulheres na política é mais democracia no Brasil

Mais mulheres na política é mais democracia no Brasil

REDAÇÃO

23 de setembro de 2020 | 15h45

Nathalia Bruni, é aluna do 7.º semestre do curso de Administração Pública da FGV EAESP

 

Observa-se durante todo o processo de formação social do Brasil, e de outros países, que o patriarcalismo ainda é um modelo bastante presente e que ainda tenta sobreviver as custas de uma visão em que a mulher tem papel sociopolítico secundário na sociedade. Apesar de as mulheres representarem mais da metade da população brasileira, em menor ou maior grau ainda é um grupo que se encontra privado de ocupar espaços de liderança e decisão politicas devido ao desequilíbrio de gênero que se faz presente diferentes esferas sociais.

Se consideramos que a democracia é um regime político no qual todos os cidadãos tem o direito de participação politica em situação de igualdade, independentemente de suas condições de gênero ou de origem étnica, a importância da representatividade fica não apenas evidenciada, como também  da elementos que questiona fortemente a naturalização da ausência de mulheres em ambientes majoritariamente ocupados por homens, sobretudo em espaços decisórios. Mesmo porque, apesar dos avanços já observados – tendo como marco originário o movimento sufragista – a falta de representatividade reflete não só no cotidiano da mulher – dada a posição de vulnerabilidade em que esta se encontra em diferentes contextos –, mas, também se atrela diretamente a falta de políticas públicas voltadas à amenização deste quadro. Menos mulheres decidindo, menos preocupação com essa pauta importante.

Não obstante, traçando um paralelo com o cenário político atual, vale destacar o fato de que no atual governo, gestão Jair Bolsonaro, apenas duas mulheres ocupam seu ministério no conjunto das vinte e duas pastas existentes. A critério de comparação, enquanto no Brasil a participação feminina em cargos de primeiro escalão no governo federal fica em 9%, à média mundial é de 20,7% de mulheres participantes em ministérios nos países pesquisados, de acordo com dados publicados pela ONU em 2020[1]. Na Câmara Federal, as mulheres representam apenas 15% das cadeiras daquela Casa. Ou seja, apesar dos timidos avanços, o Brasil ainda caminha no sentido oposto à tendência internacional de propiciar mais espaços de liderança política para as mulheres.

Outro aspecto relevante e que requer de atenção na hora da busca pela representatividade, diz respeito aos riscos de descontinuidade de políticas públicas que se faz presente a cada mudança de governo. Isso coloca em risco a permanência de ações públicas que visam ampliar o espaço de poder das mulheres.

Por fim, é preciso reafirmar que uma verdadeira sociedade democrática é aquela em que a representatividade dos diferentes grupos sociais está garantida nas mais diferentes esferas decisórias. É isso que vai propiciar melhores decisões na açocação de recursos públicos e mais qualidade no processo decisório. Desse modo, quando mais as mulheres avançarem na ocupação dos espapços públicos mais democrática será nossa sociedade. Isso vale também para todos os segmentos que hoje estão excluídos, ou apenas incluidos parcialmente, no processo de decisão política no país.

 

[1] Câmara dos Deputados. Disponível em: https://www.camara.leg.br/noticias/554554-baixa-representatividade-de-brasileiras-na-politica-se-reflete-na-camara/ > Acesso em 22 de setembro de 2020.

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