Falta de visão e de uma gestão pública eficiente estão destruindo economia do Paraná

Falta de visão e de uma gestão pública eficiente estão destruindo economia do Paraná

REDAÇÃO

13 de maio de 2021 | 18h49

“Estamos vivendo uma inversão de valores na administração pública e priorizando gastos em superficialidades ao invés de investimentos de verdade”

Requião Filho, Advogado e Deputado Estadual do Paraná

Foi-se o tempo em que, por trás de discursos emocionados e alegóricos, os políticos brasileiros tinham verdadeiras equipes de bons administradores públicos, economistas, engenheiros, pessoas de referência na criação de estratégias de crescimento urbano e social. A geração de empregos, a abertura de novos comércios e indústrias eram priorizados. O Paraná viveu esse período fabuloso, mas há pelo menos dez anos, não teve mais a mesma sorte. Seu povo tem sido levado pela onda de estrategistas, que criaram campanhas de marketing impecáveis para esconder a nova realidade que surgia por trás; a da corrupção generalizada.

Do ponto de vista econômico, houve uma falsa sensação de estabilidade, e passou a beneficiar, com renúncias fiscais, empresas que em nada contribuiriam com o crescimento do Estado. Grandes marcas firmaram seus nomes em solo paranaense, fundamentadas em incentivos que chegaram a ser desleais diante do pequeno empreendedor local, aquele mesmo cidadão que, um dia, sonhava em ampliar seu comércio, sua pequena fábrica. Ao longo dos anos, foi se tornando tão desproporcional este “auxílio” aos gigantes, que esmagou quem nasceu e cresceu em terras paranaenses.

O pequeno e médio que querem crescer no Estado enfrentam um cenário no qual podem oferecer menos que as grandes indústrias, com preços menos competitivos e sem a logística característica dos grandes. Repare que não é apenas o custo direto que causa essa desproporção, afinal lucrando menos também tem-se menor capacidade de investimento para ampliação e manutenção de suas operações. Mas o custo do produto aumenta naturalmente pelo volume produzido, afinal quanto mais se produz, melhor se negocia com fornecedores de insumos básicos.

O jogo então é feito de maneira que se distancia, cada vez mais, o pequeno e médio produtor de quem já é grande. Afinal, quem produz em menor quantidade não possui incentivos fiscais igual aos grandes. Também pagam mais pela matéria-prima e sofrem mais com crises econômicas.

Por isso, ao não garantir igualdade nos incentivos, o Paraná manda um recado claro que o importante é o dado cru, o qual pode ser apresentado em videochamadas e propagandas, bradando o quão eficiente o Estado é. Eficiente em garantir a submissão de seu povo perante aos grandes conglomerados, garantindo seu status de empregado e não de empregador. Invista no Paraná, mas com suor e couro, não queira crescer e lucrar por aqui se você não falar inglês e tiver conta na Suíça.

As empresas beneficiadas por essa diferenciação de impostos recolhem menos IR, PIS e Cofins por exemplo, prejudicando assim toda a nação. Já os pequenos, quanto mais crescem, mais impostos têm que pagar. Uma discrepância sem precedentes!

Paralelo a isso, o Estado do Paraná não apresenta nenhum estudo sobre os impactos dessas medidas. Talvez o atual Governador ou seus Secretários só estejam repetindo a sistemática falida que seu antecessor criou. Falta visão! Falta uma gestão pública eficiente! Estão destruindo a economia e a culpa não foi e nem é da pandemia. Aliás, essa é uma desculpa que chegou em boa hora para justificar tanta precipitação em lidar com o caixa financeiro.

O que a gente ganha em troca? Quais as medidas compensatórias disso tudo? Não há nenhuma explicação sobre o efeito, o controle, o impacto dessa renúncia fiscal que privilegia grandes multinacionais com crédito presumido, construção de fábricas, isenção de ICMS para maquinários, insumos, etc. Estão destruindo as pequenas empresas, causando um prejuízo concorrencial e levando ao desemprego de milhões. Renúncia fiscal e a ausência de uma política pública séria, se torna benefício à CNPJs e leva-se, por fim, ao abandono da capacidade distributiva de renda pelo país.

Foto de Requião Filho: Crédito: Dálie Felberg / ALEP

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