Educação  e professores – os desafios do digital e o risco da desigualdade

Educação  e professores – os desafios do digital e o risco da desigualdade

REDAÇÃO

10 de abril de 2020 | 16h40

Maria Tereza Leme Fleury – Professora titular da EAESP /FGV

Passadas três semanas da decretação da quarentena, quando universidades e escolas cancelaram as aulas ou passaram para a educação on line, é momento de perguntar qual tem sido a reação de professores  e instituições de ensino frente a esta situação inusitada?

Entre os professores , usando uma tipologia aplicada às empresas, existem aqueles” born digital”    e aqueles “going digital”  no abraçar a educação on line . A diferença geracional pode explicar muita coisa: os mais jovens, acostumados desde cedo ao vídeo game e outros aplicativos, se adaptam mais facilmente, têm mais disposição para assumir o risco de ganhar,  perder, começar outra vez. Os mais velhos são menos familiarizados  e o processo pode ser mais difícil.

 Mas, a meu ver, a principal diferença é a motivação por aprender , por se conectar e vivenciar processos e relações novas.

E nesse curto espaço de tempo, os depoimentos que temos de  professores  das universidades  que passaram para o on line  são mais animadores do que esperávamos-  estão  tentando aprender,  sair da zona de conforto do que já sabem fazer  e se reinventar .  Entre os mais velhos  a noção do aprendizado pela vida toda se torna realidade ; entre os mais jovens a percepção de que este presente é o futuro de suas profissões se torna realidade.

E na educação fundamental , no ensino médio?  As escolas particulares  reagiram rapidamente , colocando com maior ou menor sucesso cursos e atividades on line. No ensino publico , em que o pais apresenta os maiores gaps educacionais,  as escolas fecharam para retomar as atividades para frente.

Isto tem o risco de acentuar ainda mais as desigualdades de oportunidades no pais.

Em outros países esta preocupação é premente. Em relatório da OECD, em 3/04/20 há relatos de iniciativas visando contornar esta situação. No Japão por exemplo o setor privado tem oferecido cursos abertos , através de plataformas do governo para os alunos se capacitarem e suprirem deficiências , encontradas em suas escolas ,nas mais diversas  formações.

No Brasil as iniciativas dos governos estaduais , municipais  existem , mas são ainda tímidas   (a questão de como  suprir necessidades básicas como a merenda escolar tem ocupado as atenções ) . As fundações e instituições com programas apoiando o ensino também tem projetos , mas de alcance limitado .

Se não quisermos que as desigualdades , que o digital divide se acentue mais ainda com a crise, este é o momento de agir.

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