Copel e a herança maldita

Copel e a herança maldita

REDAÇÃO

08 de junho de 2022 | 14h50

Requião Filho, Advogado e Deputado Estadual no Paraná

Assisti com surpresa ao novo podcast chamado “Entre Reis e CEOs”, do canal do Youtube Stock Pickers. Lá o presidente da Copel, Daniel Pimentel Slaviero, comemorou a amarra feita no estatuto da companhia paranaense de energia para obrigar qualquer governador e gestor que passe pela estatal no futuro em efetivar aumentos da conta de energia colocados pela ANEEL.

Comemora a vitória para os acionistas, como se eles tivessem o colocado lá. Esquecem do povo, principalmente em um cenário que ainda nos recuperamos da pandemia, das mazelas causadas pela inflação altíssima e da precarização das relações de trabalho, iniciadas pela reforma trabalhista do Temer.

Dizem que avançaram de nível na bolsa de valores, que colocaram os “minoritários” em melhor estágio, mas caíram na vala comum das grandes empresas que trituram sonhos, que fazem a população paranaense optar entre comer ou ter luz em casa. Bradam “CHEGA DE POPULISMO NA TARIFA” e eu escuto o choro daqueles que passam fome, que passam frio, que dependem do estado para sobreviverem.

Esse é o populismo? Não se importar se, mês após mês, luz e água sobem enquanto os salários são congelados? O servidor público tendo perdas de 30% do seu poder de compra justamente por serem ignorados por esse governo bondoso com o acionista? Não vi, em nenhum momento, falar de POVO. Ou melhor, até falou, quando elencou a prioridade da Copel: Primeiro a empresa, segundo os acionistas, em terceiro o mercado e por fim, afinal não sobrou mais ninguém para colocar na lista, a população. A prioridade da nossa estatal deveria ser desenvolver nosso Paraná, cuidando do interesse público.

Gritam aos céus que não poderá haver retrocesso. Eu afirmo: esse é o retrocesso. A própria descrição do vídeo no Youtube diz “a mentalidade de empresa privada na estatal”… Oras, a Copel é nossa!! Privatizaram a Copel na surdina, garantindo o poder aos acionistas em detrimento da população paranaense. Quão absurdo é isso? Essa é a condução do mercado privado no Estado, o Robin Hood das araucárias tira dos pobres e dá aos ricos, donos de ações, de fatias pomposas, que por muitas vezes estão longe do Paraná e não escutam o grito dos inocentes.

Uma pergunta a qualquer paranaense: Você prefere tarifa baixa ou uma boa comissão aos acionistas e diretores? Entre palavras pomposas em inglês, dignas de gente do mercado, a tragédia é paranaense.

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