Nova fase da Zelotes mira economista Roberto Giannetti da Fonseca

Nova fase da Zelotes mira economista Roberto Giannetti da Fonseca

Também é alvo da buscas da operação o ex-secretário de comércio exterior Daniel Godinho

Fabio Serapião e Fausto Macedo

26 de julho de 2018 | 08h59

Roberto Giannetti da Fonseca. FOTO GABRIELA BILO / ESTADÃO

A Operação Zelotes, investigação sobre irregularidades cometidas junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), abriu nesta quinta-feira, 26, sua 10ª fase. São investigadas sete pessoas e duas empresas.

Roberto Giannetti da Fonseca é amigo de longa data do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) e ex-secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior no governo FHC. O economista era um dos colaboradores da campanha política do ex-governador à Presidência.

Segundo o Ministério Público Federal, os prejuízos calculados ultrapassam, em valores atualizados, R$ 650 milhões.

A Polícia Federal cumpre onze mandados judiciais em São Paulo, no Rio, no Rio Grande do Sul, em Pernambuco e no Distrito Federal. A PF tem o apoio da Coordenação-Geral de Pesquisa e Investigação da Receita e da Corregedoria-Geral do Ministério da Fazenda.

As medidas cautelares foram autorizadas pelo juiz Vallisney Oliveira, a pedido do Ministério Público Federal, em Brasília.

Segundo a Procuradoria da República, uma siderúrgica contratou uma empresa de consultoria, que subcontratou um escritório de advocacia para anular, parcial ou integralmente, o crédito tributário devido.

“As articulações, revestidas de inúmeras ilegalidades, obtiveram êxito e a isenção da dívida foi total”, afirma o Ministério Público Federal.

“As empresas contratadas e os envolvidos que nelas atuavam tinham acesso a informações privilegiadas, bem como contatos com pessoas-chave para lograr sucesso nos julgamentos do tribunal administrativo.”

Os investigadores destacam que ‘a siderúrgica já possuía assessoria técnica, representada por outro advogado, quando decidiu ‘investir’ nos serviços oferecidos pela consultoria’. Na avaliação do Ministério Público Federal, trata-se de lavagem de dinheiro.

A Procuradoria afirma que os dados obtidos com esta fase da Zelotes poderão trazer novos esclarecimentos.

“Trata-se de medida que conferirá maior robustez ao acervo probatório já angariado no curso da presente investigação”, informa o procurador da República Frederico Paiva, da força-tarefa da Zelotes.

Quando começou a Zelotes

As investigações sobre o ‘Tribunal da Receita’ tiveram início em 2014. A primeira operação foi deflagrada no ano seguinte.

Até o momento, a apuração da Zelotes levou a 20 ações penais, 18 processos administrativos disciplinares, quatro processos de responsabilização de pessoa jurídicas e sete arguições de nulidade de decisões já admitidas e em tramitação junto ao Conselho.

COM A PALAVRA, ROBERTO GIANNETTI DA FONSECA

“Kaduna Consultoria e Roberto Giannetti da Fonseca declaram que estão abertos a prestar qualquer informação e a colaborar integralmente com a Justiça Federal para elucidação de qualquer fato relacionado a investigação Zelotes. Ele reafirma que aqueles que o conhecem sabem que ele sempre se pautou pelos princípios éticos e legais no relacionamento com seus clientes e com as autoridades públicas, sendo totalmente infundadas as suspeitas levantadas contra si e sua empresa.”

COM A PALAVRA, A PARANAPANEMA

“A Companhia tampouco seus administradores ou gestores atuais foram alvo ou notificados oficialmente. A Companhia repudia quaisquer atos de ilegalidade e conta com rigorosas políticas de controle e conformidade, que têm sido permanentemente aprimoradas.”

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