Zelada se cala na PF

Defesa de sucessor de Nestor Cerveró na Diretoria Internacional da Petrobrás alega que não teve acesso prévio e integral ao inquérito, por isso orientou Jorge Luiz Zelada a ficar em silêncio

Redação

01 de agosto de 2015 | 06h30

Jorge Zelada após ser preso no início de julho. Foto: Paulo Lisboa/Brazil Photo Press

Jorge Zelada após ser preso no início de julho. Foto: Paulo Lisboa/Brazil Photo Press

Por Julia Affonso e Fausto Macedo

O ex-diretor da área Internacional da Petrobrás Jorge Luiz Zelada, preso na Operação Mônaco – desdobramento da Lava Jato – calou-se durante audiência na Polícia Federal nesta sexta-feira, 31. Ele está preso desde 2 de julho, quando foi deflagrada a 15ª fase da Operação Lava Jato. Segundo o advogado Eduardo de Moraes, que faz parte da defesa de Zelada, ele ficou em silêncio porque seus defensores não tiveram acesso prévio e integral ao inquérito.

Jorge Zelada sucedeu Nestor Cerveró – preso desde 14 de janeiro – no comando da diretoria Internacional da Petrobrás. Ele é suspeito de ter dado continuidade entre 2008 e 2012 ao suposto esquema do PMDB de cobrança de propinas nesse setor da estataL, que teria sido iniciado por Cerveró (2005 a 2008).

A prisão de Zelada reforçou os indícios de que o esquema de cartel e corrupção revelados nas obras de refinarias da Petrobrás entre 2004 e 2014 foi reproduzido nos contratos de construções offshore, como plataformas, embarcações e navios-sondas – mercado aquecido a partir de 2007 após a descoberta do pré-sal.

Nestor Cerveró já foi condenado por lavagem de dinheiro e é réu em processo de corrupção pelo recebimento de US$ 30 milhões de propina nas contratações dos navios-sondas Petrobras 10.000, em 2006, e Vitória 10.000, em 2007. Com Cerveró fora da Petrobrás em 2008, foi Zelada quem fechou a contratação dos dois outros navios-sondas que faziam parte do projeto iniciado pelo antecessor, o ENSCO DS-5 e o Titanium Explorer.

Os contratos desses quatro navios-sondas passaram por auditoria da Petrobrás que apontaram prejuízos milionários à estatal. “Diversas irregularidades foram constatadas pela auditoria da Petrobrás que analisou a contratação da empresa Vantage, tendo apurado a responsabilidade do ex-diretor Jorge Luiz Zelada pelas desconformidades”, registra a Procuradoria da República.

Em sua delação premiada à força-tarefa da Operação Lava Jato, o ex-gerente de Engenharia da Petrobrás Pedro Barusco – braço direito do ex-diretor de Serviços, Renato Duque – afirmou que Jorge Zelada também fez parte do esquema de propinas na companhia. Segundo o delator, Zelada teria recebido os pagamentos enquanto ocupava o cargo de gerente.

Barusco contou que entregou R$ 120 mil, em mãos, na casa de Zelada. Ele não soube afirmar quanto dinheiro o ex-diretor recebeu indevidamente. O ex-gerente da Petrobrás disse acreditar que Zelada recebeu propina no exterior, pois ambos tinham conta no mesmo banco, na Suíça.

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