Youssef diz que pagou ‘entre R$ 4 milhões e R$ 6 milhões’ para operador do PMDB na Petrobrás

Doleiro da Lava Jato afirma que lobista lhe disse que propina era para pagar conta de requerimento envolvendo deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara

Redação

11 de maio de 2015 | 12h34

Youssef em depoimento à CPI da Petrobrás. Foto: Ricardo Brandt/Estadão

Youssef em depoimento à CPI da Petrobrás. Foto: Ricardo Brandt/Estadão

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

O doleiro Alberto Youssef declarou, em depoimento à CPI da Petrobrás, em Curitiba, na manhã desta segunda-feira, 11, que participou de uma operação de propina com os lobistas Fernando Antônio Falcão Soares, o Fernando Baiano, operador de propinas do PMDB, e Julio Camargo, delator da Operação Lava Jato, que envolvia o presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

“Foram pagos entre R$ 4 milhões e R$ 6 milhões”, afirmou Youssef, preso pela Operação Lava Jato desde março de 2014.

Youssef explicou que foi procurado pelo lobista Julio Camargo, representante do Grupo Mitsui, do Japão, para que desse dinheiro para pagar propina ao operador do PMDB.

“Ele (Julio Camargo) me pediu que fizesse operação de aluguel de sondas que ele fez com Fernando Soares para a Petrobrás. Ele me disse que precisava pagar por conta de requerimento que o Fernando tinha pedido ao deputado Eduardo Cunha para que pedisse à Comissão de Fiscalização (da Câmara) informações sobre a Mitsui. Então, ele me pediu que entregasse recursos para Fernando Soares.”

O doleiro afirmou que seu relacionamento com Fernando Baiano ocorreu através “de Paulo Roberto Costa em operações feitas pela Petrobrás”.

Fernando Baiano, Camargo e o ex-diretor de Internacional Nestor Cerveró são réus em processo da Operação Lava Jato, conduzido pelo juiz federal Sérgio Moro, por causa do pagamento de US$ 30 milhões em propinas na contratação de duas sondas de perfuração para exploração de Petróleo.

O deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) pediu que ele explicasse melhor sua relação com o operador de propina do PMDB. “Quem intitulava Fernando Baiano como operador do PMDB foi Paulo Roberto Costa.”

O doleiro disse ter estado “meia dúzia de vezes” com Fernando Baiano. Uma delas foi para “resolver o assunto do Julio Camargo com referência aos valores de repasse”.

Integrantes da CPI da Petrobrás desembarcaram em Curitiba para ouvir os depoimentos de 13 acusados de envolvimento no esquema de cartel e corrupção na Petrobrás, que estão presos. Entre eles os ex-deputados André Vargas (ex-PT, hoje sem partido), Pedro Corrêa (PP) e Luiz Argolo (ex-PP, hoje no SD). Youssef é o primeiro a ser ouvido nesta manhã de segunda-feira, por um grupo de 14 deputados federais da comissão, que tem audiências marcadas até amanhã.

Estão marcados para hoje os depoimentos do ex-diretor de Internacional Nestor Cerveró e do lobista Fernando Antônio Falcão Soares, o Fernando Baiano ligados ao PMDB no esquema de loteamento político na estatal, que envolvia ainda PT e PP. de Mário Góes, de Guilherme Esteves e de Adir Assad, outros três lobistas acusados de operarem propina na Diretoria de Serviços – que era cota do PT – também estão nessa lista.

Amanhã serão ouvidos os depoimentos dos ex-deputados. Eles estão na carceragem do Centro Médico Prisional, na Região Metropolitana de Curitiba. Os interrogatórios serão realizados no auditório da Justiça Federal, em Curitiba. Um grupo de 14 deputados já estão na capital paranaense para início dos interrogatórios, a partir das 9h de hoje.

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