WTorre e outros alvos da Abismo não denunciados continuam sob investigação

WTorre e outros alvos da Abismo não denunciados continuam sob investigação

Procuradoria da República informou a juiz da Lava Jato que não esgotou apuração sobre empresários que ficaram de fora da primeira denúncia por propinas nas obras do Centro de Pesquisas da Petrobrás

Mateus Coutinho e Julia Affonso

10 Agosto 2016 | 05h00

HR1628 SÃO PAULO/SP 03/03/2015 ENCONTRO PME WTORRE PME - Walter Torre Júnior, fundador da WTorre, durante Encontro PME com empreendedores na sede d'O Estado de São Paulo. FOTO: HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

Walter Torre Júnior, fundador da WTorre. FOTO: HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

Em nova denúncia apresentada nesta terça-feira, 9, à Justiça Federal em Curitiba, a força-tarefa da Lava Jato não acusa o dono da construtora WTorre, Walter Torre, nem outros executivos da empresa que foram alvo da Operação Abismo por suspeita de receberem R$ 18 milhões em propinas para não prejudicar as empreiteiras do cartel que atuava na Petrobrás e venceu a licitação do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), no Rio de Janeiro.

Apesar disso, os procuradores da Lava Jato deixam claro ao juiz Sérgio Moro que os nomes ainda não denunciados continuarão a serem investigados. Ao todo, foram denunciados quinze investigados, incluindo novos executivos de empresas que estão na mira da Lava Jato.

Na acusação de 117 páginas assinada por 13 procuradores da força-tarefa, a Procuradoria da República aponta o pagamento de R$ 20 milhões em propinas a ex-funcionários do alto escalão da Petrobrás, valor menor que os R$ 39 milhões apontados durante a deflagração da Operação Abismo, 31 etapa da Lava Jato que mirou as obras do Cenpes. Avaliadas em R$ 850 milhões na época da licitação, em 2008, as obras do Centro de Pesquisa custaram R$ 1 bilhão.

A diferença dos valores é explicada, em grande parte, pelo fato de a denúncia ter deixado de fora as suspeitas de repasse de R$ 18 milhões do Consórcio Novo Cenpes, formado pelas empresas do cartel e que acabou ficando com a licitação, para a WTorre. Na época da licitação, a construtora que não fazia parte do “clube” que loteava as licitações da Petrobrás, ofereceu o menor preço e ficou em primeiro, mas nas negociações com a estatal para fechar o acordo acabou se recusando a oferecer desconto, dando lugar ao Consórcio Novo Cenpes.

“Embora ainda não tenha sido possível precisar a forma como se deu o pagamento dos R$ 18 milhões, os documentos do procedimento licitatório demonstram que, em cumprimento ao acordo espúrio, a WTorre não ofereceu desconto suficiente e, em negociação direta com a Petrobrás, o Consórcio Novo Cenpes ofereceu preço menor ao da primeira colocada, sagrando-se vencedor da licitação”, afirma a denúncia.

Na acusação, os procuradores listam o depoimento do delator Ricardo Pernambuco Júnior, da Carioca Engenharia, que disse que as empreiteiras do consórcio acertaram o pagamento de R$ 18 milhões à WTorre, e também o de Ricardo Capobianco, da Construcap e que foi preso na Abismo. Capobianco relatou aos investigadores uma reunião entre ele e outros executivos do Consórcio Novo Cenpes na qual eles definiram um “acerto com a empresa WTorre para ela desistir do certame”.

Chamou a atenção dos investigadores ainda o fato de que a própria OAS, que participava do consórcio, procurou a comissão de licitação da Petrobrás no dia 14 de setembro para oferecer uma nova oferta antes mesmo de a comissão negociar com a WTorre, que havia vencido a licitação e oferecido o menor preço.

” Em seu termo de declarações perante a Polícia Federal, Raimundo Grandini disse que procurou a Petrobrás, nessa oportunidade (14 de setembro), por determinação do denunciado Agenor (Franklin, ex-diretor da OAS). Informado de que sequer havia sido realizada a negociação com a WTorre, primeira colocada do certame, o que ocorreria em 19/09/07, o representante do Consórcio Novo Cenpes obteve permissão para trazer sua proposta na mesma reunião, a qual somente seria analisada em caso de insucesso nas tratativas com a WTorre”, segue a denúncia.

O próprio Walter Torre também teve que depor à PF na Abismo, ocasião em que ele admitiu ter tomado conhecimento do cartel de empresas na Petrobrás, relatou que as companhias cartelizadas não queriam que sua empresa vencesse a licitação, mas negou que ele ou outro executivo da WTorre tenham recebido dinheiro para desistir da proposta com a Petrobrás, que ele classificou como “inviável” para sua construtora.

Apesar de dar como certa a propina para a WTorre, a Lava Jato optou por prosseguir as investigações do caso em relação a alguns dos personagens e, por enquanto, não denunciou os executivos da empresa ao juiz Sérgio Moro.

Procurada, a WTorre informou que não comentaria o caso.

Em nova denúncia apresentada nesta terça-feira, 9, à Justiça Federal em Curitiba, a força-tarefa da Lava Jato não acusa o dono da construtora WTorre, Walter Torre, nem outros executivos da empresa que foram alvo da Operação Abismo por suspeita de receberem R$ 18 milhões em propinas para não prejudicar as empreiteiras do cartel que atuava na Petrobrás e venceu a licitação do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), no Rio.

Apesar disso, os procuradores da Lava Jato deixam claro ao juiz Sérgio Moro que os nomes ainda não denunciados continuarão sob investigação. Ao todo, foram denunciados quinze alvos da Abismo, incluindo novos executivos de empresas que estão na mira da Lava Jato.

Na acusação de 117 páginas assinada por 13 procuradores da força-tarefa, a Procuradoria da República aponta o pagamento de R$ 20 milhões em propinas a ex-funcionários do alto escalão da Petrobrás, valor menor que os R$ 39 milhões apontados durante a deflagração da Operação Abismo, 31.ª etapa da Lava Jato que mirou as obras do Cenpes. Avaliadas em R$ 850 milhões na época da licitação, e 2008, as obras do Centro de Pesquisa custaram R$ 1 bilhão.

A diferença dos valores é explicada, em grande parte, pelo fato de a denúncia ter deixado de fora as suspeitas de repasse de R$ 18 milhões do Consórcio Novo Cenpes, formado pelas empresas do cartel e que acabou ficando com a licitação, para a WTorre. Na época da licitação, a construtora que não fazia parte do “clube” que loteava as licitações da Petrobrás, ofereceu o menor preço e ficou em primeiro, mas nas negociações com a estatal para fechar o acordo acabou se recusando a oferecer desconto, dando lugar ao Consórcio Novo Cenpes.

“Embora ainda não tenha sido possível precisar a forma como se deu o pagamento dos R$ 18 milhões, os documentos do procedimento licitatório demonstram que, em cumprimento ao acordo espúrio, a WTorre não ofereceu desconto suficiente e, em negociação direta com a Petrobrás, o Consórcio Novo Cenpes ofereceu preço menor ao da primeira colocada, sagrando-se vencedor da licitação”, afirma a denúncia.

Na acusação, os procuradores listam o depoimento do delator Ricardo Pernambuco Júnior, da Carioca Engenharia, que disse que as empreiteiras do consórcio acertaram o pagamento de R$ 18 milhões à WTorre, e também o de Ricardo Capobianco, da Construcap e que foi preso na Abismo. Capobianco relatou aos investigadores uma reunião entre ele e outros executivos do Consórcio Novo Cenpes na qual eles definiram um “acerto com a empresa WTorre para ela desistir do certame”.

Chamou a atenção dos investigadores ainda o fato de que a própria OAS, que participava do consórcio, procurou a comissão de licitação da Petrobrás no dia 14 de setembro para oferecer uma nova oferta antes mesmo de a comissão negociar com a WTorre, que havia vencido a licitação e oferecido o menor preço.

” Em seu termo de declarações perante a Polícia Federal, Raimundo Grandini disse que procurou a Petrobrás, nessa oportunidade (14 de setembro), por determinação do denunciado Agenor (Franklin, ex-diretor da OAS). Informado de que sequer havia sido realizada a negociação com a WTorre, primeira colocada do certame, o que ocorreria em 19/09/07, o representante do Consórcio Novo Cenpes obteve permissão para trazer sua proposta na mesma reunião, a qual somente seria analisada em caso de insucesso nas tratativas com a WTorre”, segue a denúncia.

O próprio Walter Torre também teve que depor à PF na Abismo, ocasião em que ele admitiu ter tomado conhecimento do cartel de empresas na Petrobrás, relatou que as companhias cartelizadas não queriam que sua empresa vencesse a licitação, mas negou que ele ou outro executivo da WTorre tenham recebido dinheiro para desistir da proposta com a Petrobrás, que ele classificou como “inviável” para sua construtora.

Apesar de dar como certa a propina para a WTorre, a Lava Jato optou por prosseguir as investigações do caso em relação a alguns dos personagens e, por enquanto, não denunciou os executivos da empresa ao juiz Sérgio Moro.

Procurada, a WTorre informou que não comentaria o caso.

 

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