WhatsApp Pay: Facebook mostra que pode se construir um ótimo negócio a partir de uma cópia

WhatsApp Pay: Facebook mostra que pode se construir um ótimo negócio a partir de uma cópia

Alfredo Soares*

30 de junho de 2020 | 05h15

Alfredo Soares. FOTO: TORIN ZANETTE

O Facebook anunciou o WhatsApp Pay no Brasil, função para transação e pagamento online. É natural surgirem dúvidas, tanto para o empreendedor, que se questiona se realmente vale a pena, quanto para o consumidor final em relação a segurança do app. Mas não é nenhuma novidade, já que o WeChat, que pertence a Tencent Holdings, dona do QQ.com (um dos maiores portais da China), no início da década passada iniciou o aplicativo e há mais de 7 anos oferece o serviço de pagamento no mercado chinês – hoje já são mais de 300 milhões de usuários.

Inicialmente é importante frisar que existirá restrições no uso, como o limite de transação em R$1.000 por dia (usuário) e R$5.000 ao mês (usuário). Isto, é claramente um teste para inserir melhorias e evitar, ao máximo, possíveis fraudes. E pensando no empreendedor, quem irá se beneficiar da nova função? Microempresas, PMEs, Marketplaces? Eu te respondo: todos eles!

Mas, inicialmente, quem mais utilizará serão os pequenos e médios empreendedores, através do WhatsApp Business, pois quando falamos em transações milionárias, segundo informações que coletei com a Fabiana Oliveira, Gerente de Canais de Vendas da Zenvia Mobile, será necessário integrações através de APIs (Interface de Programação de Aplicações), e isso só será disponibilizado pelo WhatsApp, muito provavelmente, no primeiro semestre de 2021.

O pagamento digital substituirá os cartões de débito e crédito

Sem dúvidas, é muito importante falarmos sobre a diferenças culturais. Em toda a Ásia, principalmente na China (por históricamente ser um país não-bancarizado), houve um grande salto entre transacionar o dinheiro em papel para ser um país que utiliza os apps (WeChat, Alipay) como forma de pagamento. Bem diferente do restante dos países pelo mundo que utilizam o cartão de débito ou crédito. No Brasil, praticamente a maioria da população utiliza o cartão de débito como principal forma de movimentar dinheiro, e, com a criação dos bancos digitais como Neon, Nubank, C6Bank entre outros, começou a popularizar também os cartões de crédito.

E o país ainda só não aderiu a prática, justamente por passar por essa transição e se acostumar a utilizar os cartões físicos. São poucas fricções: eu tiro meu cartão da carteira, passo na maquininha, digito a senha e pronto. Mas hoje, principalmente em tempos de isolamento, começamos a perceber que o pagamento presencial é simples, mas à distância será ainda melhor. Porém, ainda existem duas barreiras: a primeira é que ainda há muitas fraudes no meio digital; a segunda é que poucas pessoas possuem cartões de crédito no país, cerca de ⅓ em relação ao de débito, segundo dados do Banco Central.

Agora com a entrada do WhatsApp Pay no país isso mudará. Por exemplo, auxiliará principalmente o pequeno varejista e o MEI (microempreendedor individual), pois a maioria das compras que o brasileiro faz no dia a dia são tickets pequenos, como um feirante que não precisará mais adquirir uma maquininha de pagamento e poderá vender suas frutas na hora, sem manusear o dinheiro ou cartão físico. Será pelo digital, direto na conta.

Dados da Statista mostram que nos últimos quatro anos o uso de cartões (débito e crédito) caiu em 10%, indo de 66% em 2017, para 56% em 2020. Por outro lado, a utilização de carteiras digitais subiu de 12% em 2017 para 27% neste ano, e a projeção é de um crescimento em 5% nos próximos três anos.

Movimentos digitais e oportunidade de negócio

Outra coisa importante a destacar é que o WhatsApp veio para popularizar a carteira digital. Se voltarmos alguns anos atrás, já surgia um movimento no Brasil para realizar a compra de um determinado serviço ou produto através da carteira digital e isso tem se popularizado nos últimos meses. Temos vários exemplos: Mercado Livre com Mercado Pago, o Itaú com a iti, Magalu com Magalu Pay, Rappi com Rappi Pay, Movile e Ifood com Movile Pay.

Todas essas empresas, dado o movimento de compra que elas possuem, já estavam, há algum tempo, tentando entrar no mercado de pagamentos principalmente para ter mais frequência de compras. Segundo levantamento da área de Inteligência de Mercado da Globo, quase dois terços dos usuários de smartphones no país (61%) diz usar uma dessas opções de pagamento.

Whatsapp está dominando o território há algum tempo. No ano de 2019, cerca de 26% da totalidade de vendas obtida no país através dos canais de comunicação online foi através do WhatsApp, ultrapassando redes sociais (17%), e e-mail (16%) por exemplo. O aplicativo atingiu quase metade das vendas efetuadas por todas as redes varejistas online (56%), como Netshoes, Submarino e Americanas, comprovando a tendência da utilização do app por parte dos consumidores.

Com o isolamento social, provocado pela covid-19, desde pequenos empreendedores até grandes empresas como redes de supermercados têm vendido muito através do aplicativo do WhatsApp. A diferença agora é que após fazer o pedido, o entregador não precisará ir até você com uma maquininha para concluir a compra, você já terá feito direto pelo app.

O fato é que Mark Zuckerberg não escolheu o Brasil para iniciar a operação à toa. Países estrangeiros enxergam o nosso país como um case de sucesso no segmento de parcelamento. A Europa, por exemplo, não possui esse método de pagamento a prestação. Assim, com a crise atual, e o parcelamento nativo já instaurado, fez o Brasil não parar completamente durante o período, enquanto outros países agora estão lançando o parcelamento como novidade. Somos também o 2º país no mundo com maior número de usuários no aplicativo, ou seja, existe um mercado gigantesco em potencial.

*Alfredo Soares, cofundador e mentor no Gestão 4.0

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