Voto em nome da família e da ‘querida cidade’

Voto em nome da família e da ‘querida cidade’

O perfil do deputado do PP Nelson Meurer, o primeiro parlamentar condenado pelo Supremo na Lava Jato

Felipe Frazão / BRASÍLIA

30 Maio 2018 | 05h00

Deputado Nelson Meurer. FOTO DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Após seis mandatos em Brasília, o deputado federal Nelson Meurer (PP-PR), de 75 anos, teve uma atuação discreta na atual legislatura. Nos últimos dois anos, não apresentou projetos de lei nem foi relator de proposta de outros colegas. Em 2016, como titular do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, foi um dos nove parlamentares que votaram contra a cassação do mandato do ex-presidente da Casa Eduardo Cunha (MDB-RJ), preso na Lava Jato.

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Meses antes, ele votou a favor do afastamento da presidente cassada Dilma Rousseff, na abertura do processo de impeachment. “Pela minha família, pelo meu querido município de Francisco Beltrão, pelo meu querido sudoeste do Paraná e pelos meus eleitores de meu Estado, eu voto sim”, disse ele, em plenário.

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Suas últimas manifestações registradas no plenário e transmitidas pela TV Câmara foram os votos nas duas denúncias contra o presidente Michel Temer (MDB), apresentadas pela Procuradoria-Geral da República e barradas entre agosto e outubro de 2017. Meurer não fez referências a seus eleitores ou familiares, como ocorreu no voto contra Dilma. Apenas declarou um voto “sim” em defesa de Temer, nas duas ocasiões, ajudando a blindar o emedebista. Sua taxa de presença é de 80%: esteve em 29 das 36 sessões deliberativas da Câmara.

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Natural de Bom Retiro (SC), o deputado fez carreira em Francisco Beltrão (PR), cidade em que exerceu um mandato de prefeito no início dos anos 1990. Agropecuarista, passou por entidades rurais patronais no Paraná. Foi do PSD, da Arena e do PPB, partido que deu origem ao PP.

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Em 2014, quando eleito, Meurer declarou à Justiça Eleitoral guardar R$ 762 mil em dinheiro. Disse ser dono de barcos, carros e de uma moto aquática, que integravam um patrimônio de R$ 4,6 milhões – 206% a mais do que em 2010.