23 investigados na Lava Jato decidem neste domingo impeachment da presidente

23 investigados na Lava Jato decidem neste domingo impeachment da presidente

Sessão sobre afastamento de Dilma terá a participação de parlamentares investigados no Supremo sob suspeita de envolvimento no esquema de corrupção na Petrobrás

Fausto Macedo e Fernanda Yoneya

17 de abril de 2016 | 19h26

Plenário da Câmara dos Deputados. FOTO: DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

Plenário da Câmara dos Deputados. FOTO: DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

Dos 513 deputados federais que têm direito a voto na sessão deste domingo, 17, que vai decidir sobre o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, 23 são investigados pela força-tarefa da Operação Lava Jato, que apura corrupção e desvios na Petrobrás. Todos os parlamentares são alvo de inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal, a quem cabe julgar integrantes do Congresso que detêm prerrogativa de foro privilegiado.

O partido com mais deputados investigados na Lava Jato é o PP, com 17 parlamentares. Desses, 13 já declararam voto a favor do afastamento da presidente, dois são contrários à saída de Dilma da Presidência, um está indeciso e um não quis informar seu posicionamento. O partido decidiu orientar sua bancada a votar, na sessão deste domingo, a favor do impeachment, mas o posicionamento não é unânime entre os 45 deputados da legenda que devem participar da votação.

A maioria dos deputados do PP foi citada pelo doleiro Alberto Youssef, delator da Lava Jato. Youssef relatou “mesadas” de R$ 30 mil a 150 mil aos parlamentares como “cota” do partido no esquema na Petrobrás.

Do PMDB, são alvo de inquéritos o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), desafeto do governo Dilma que já declarou voto favorável ao impeachment, e Aníbal Gomes (CE). Cunha foi denunciado pelo Ministério Público Federal acusado de corrupção e lavagem de dinheiro e virou réu. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em denúncia ao Supremo Tribunal Federal, acusa o presidente da Câmara de ter recebido propina no valor de ao menos US$ 5 milhões para viabilizar a construção de dois navios-sonda da Petrobrás, no período entre junho de 2006 e outubro de 2012. O peemedebista nega envolvimento em irregularidades. Um pedido de Janot para que Cunha seja afastado da presidência e do mandato de deputado será julgado pelo Supremo em data ainda indefinida.

O PT também tem dois deputados na mira da Lava Jato. Vander Loubet (MS) e José Mentor (SP) são apontados como recebedores de dinheiro originário do esquema na Petrobrás. A Procuradoria-Geral da República ofereceu denúncia no fim do ano passado contra Loubet – a acusação afirma que o petista participou de esquema envolvendo a BR Distribuidora. Na denúncia que entregou ao Supremo contra o deputado de Mato Grosso do Sul, a quem acusa por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o procurador descreve o esquema de corrupção instalado na subsidiária da Petrobrás. Janot afirmou que o senador Fernando Collor (PTB-AL) tinha um “bando de asseclas” agindo na BR Distribuidora.

O Supremo investiga, ainda, o parlamentar Júlio Delgado (PSB-MG) e o Missionário José Olímpio, ex-PP e atualmente filiado ao DEM. Ambos são a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

A maioria dos parlamentares foi citada pelo doleiro Aberto Youssef e pelo ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa. Os dois delatores da Lava Jato citaram dezenas de políticos como beneficiários do esquema de corrupção na Petrobrás e os depoimentos ajudaram a embasar o pedido feito pelo procurador-geral da República de abertura de inquéritos contra parlamentares no Supremo, em março do ano passado.

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