Volta às aulas presenciais e o modelo de ensino híbrido

Volta às aulas presenciais e o modelo de ensino híbrido

Luiz Alexandre Castanha*

17 de julho de 2020 | 17h02

Luiz Alexandre Castanha. FOTO: DIVULGAÇÃO

Dia 8 de setembro é a data prevista e anunciada pelo governador do estado de São Paulo, João Doria, para a retomada gradual das atividades escolares. Diante da pandemia do coronavírus, para que esse retorno aconteça com a devida segurança e tranquilidade, foi imposta a taxa de ocupação da capacidade física das instituições de ensino em no máximo 35%.

Afinal, a experiência de países como a China, Coreia do Sul, Finlândia, Dinamarca, França, Inglaterra, Israel e Portugal demonstra que essa volta precisa ser feita de forma gradual, escalonada, e requer vários cuidados.De acordo com diretrizes elaboradas pelo Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), em um primeiro momento, as salas de aulas devem ter grupos menores de crianças e adolescentes, que se revezam em uma sistemática híbrida de atividades presenciais e não presenciais ao longo da semana. Haverá rodízio entre estudantes em sala e em casa, com continuidade das atividades on-line.

E aí entramos no que eu acredito ser uma das tendências mais importantes da educação de século XXI: o Ensino Híbrido. Essa modalidade não se aplica apenas para as escolas, como também chama atenção no mundo corporativo. Basicamente, o ensino híbrido integra as melhores práticas educacionais off-line e on-line. Em inglês, inclusive, é conhecido pelo termo blended learning – em livre tradução, significa misturar o processo de aprender.

No caso das empresas, os gestores devem enxergar como oportunidades a adoção de recursos tecnológicos para potencializar o aprendizado. Ao mesmo tempo, devem levar em consideração também as qualidades de um relacionamento presencial, do networking e da qualidade das trocas que envolvem o contato físico proporcionam. Por isso, o ensino híbrido é uma ótima maneira de buscar um equilíbrio entre os dois modelos de ensino e trabalhar o treinamento corporativo de uma forma mais dinâmica, atrativa e realmente eficiente.

O ensino misto permite um trabalho com diferentes abordagens e plataformas, podendo no modelo a distância trabalhar com os conteúdos teóricos que exigem maior grau de concentração e reflexão; e no presencial, algumas dinâmicas práticas que reforçam os conhecimentos adquiridos.

Neste contexto, tecnologias de mobile learning e inteligência artificial como a realidade virtual, a realidade aumentada, o gamification e o chatbot ajudam o mercado de treinamentos a tornar suas aulas mais interativas e completas, auxiliando os colaboradores a aprenderem cada vez mais e, claro, contribuindo para melhores resultados nas empresas.

De fato, uma pesquisa recente das maiores consultorias do mercado mostra que empresas que não investem em tecnologia tiveram 15% em perdas de receita anual e probabilidade de comprometer ainda cerca de 46% dos ganhos potenciais até 2023. De acordo com a Fundação Getúlio Vargas, empresas brasileiras gastam, aproximadamente, 7,7% dos recursos em tech. E precisamos concordar que este número deve crescer consideravelmente após a pandemia.

Vamos pensar em um treinamento corporativo neste cenário de ensino híbrido e novas tecnologias:

As primeiras aulas seriam presenciais, com toda equipe reunida para apresentação dos objetivos do projeto, sua relevância e impacto na organização, além da apresentação do time de trabalho. Durante o encontro, poderiam ser realizadas demonstrações com a ajuda da realidade aumentada para ensinar, por exemplo, sobre novos procedimentos a serem adotados na empresa e suas consequências.

Ainda presencialmente, os participantes passariam por dinâmicas e alguns exercícios em grupo. Ao final do encontro, o facilitador disponibilizaria acesso a uma plataforma digital, onde os participantes conseguiriam rever o conteúdo e aprofunda-lo por meio de outros formatos.

Na plataforma, um assistente virtual, via chatbot, responderia dúvidas, apontaria lições e ajudaria a medir o desempenho e evolução de cada colaborador. Os participantes seguiriam engajados com um modelo on-line gamificado, envolvendo elementos de jogos interativos, envolventes e motivadores para toda a equipe.

Todas essas metodologias, aliadas ao uso de tecnologia e inteligência artificial, permitem que o fluxo do treinamento seja mais realista e dinâmico do que os métodos convencionais. Ao mesclar elementos de diferentes formatos, virtuais ou não, o ensino híbrido dá um passo adiante das outras estratégias, por ser uma atividade mais atualizada, interativa, motivadora e, assim, eficaz.

*Luiz Alexandre Castanha é especialista em Gestão de Conhecimento e Tecnologias Educacionais

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