‘Você possui alguma doença grave?’

‘Você possui alguma doença grave?’

Durante audiência de custódia, na tarde desta sexta, 4, juíza da 1.ª Vara Criminal Federal de São Paulo, Andréia Moruzzi, questionou o procurador da Fazenda Nacional Matheus Carneiro Assunção, preso em flagrante depois de golpear a facadas o pescoço da juíza Louise Filgueiras, no prédio-sede do TRF-3, na Avenida Paulista

Pedro Prata e Paulo Roberto Netto

04 de outubro de 2019 | 19h27

A juíza Andréia Moruzzi, da 1.ª Vara Criminal Federal em São Paulo, converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva e determinou medida de internação provisória contra o procurador da Fazenda Matheus Carneiro Assunção, de 35 anos, que, na quinta, 3, esfaqueou no pescoço a juíza Louise Filgueiras, no 21.º andar do prédio-sede do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região (TRF-3), na Avenida Paulista.

Perguntado se teria alguma doença grave, Matheus respondeu: ‘Aparentemente sim, meu psiquiatra falou’. Foto: Divulgação

Durante audiência de custódia realizada na tarde desta sexta, 4, Andréia Moruzzi ainda determinou a instauração de incidente de insanidade mental, e nomeou como curador o cunhado do procurador, Silvio Romero Pinto Rodrigues Jr.

“A fim de preservar a integridade física do investigado, já que conforme laudo médico juntado aos autos, há risco significativo de que cometa suicídio, determino a internação provisória e que a Polícia Federal promova a imediata remoção de Matheus para o estabelecimento de Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico “Dr. Arnaldo Amado Ferreira”, em Taubaté, para que se mantenha submetido à terapêutica adequada.”

Matheus tem 35 anos e ingressou na Procuradoria da Fazenda em 2008. Ele afirmou ser de Recife, onde moram seus pais. Ele ainda teria uma irmã advogada em São Paulo.

Durante a audiência, a juíza entendeu que Matheus Assunção ‘aparentou transtornos mentais e afirmou possuir dependência alcoólica’.

‘Você possui alguma doença grave?’, indagou a magistrada.

‘Aparentemente sim, meu psiquiatra falou’, respondeu o procurador.

‘Há quanto tempo você consulta o psiquiatra?’, seguiu a juíza.

‘Desde a semana passada.’

‘Você toma algum remédio controlado?’

‘Sim’.

Há quanto tempo faz uso da medicação?’

‘Há cinco dias.’”

O procurador não soube responder qual a medicação que toma.

A defesa havia solicitado internação provisória de Matheus Carneiro Assunção, bem como solicitou a oitiva prévia de um psiquiatra apresentado por ela, mas a magistrada indeferiu o pedido, ‘considerando que não há qualquer previsão legal para tanto’.

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