Você é um advogado insubstituível?

Você é um advogado insubstituível?

Bruno Bom*

04 de novembro de 2021 | 06h30

Bruno Bom. FOTO: DIVULGAÇÃO

É comum ouvirmos o axioma “ninguém é Insubstituível”. Deixo aqui registrado que não concordo com isso e a história pode provar minha posição com personagens que tiveram uma contribuição ímpar por meio da sua contribuição para humanidade e foram imortalizados.

Como imaginar o mundo sem alguns talentos insubstituíveis como:  Beethoven, Santos Dumont, Machado de Assis, Elvis Presley, Albert Einstein, Isaac Newton, Picasso, Sócrates, e milhares de outros ícones que fizeram e fazem a história do mundo de forma diferente.

E no Direito? Podemos destacar nomes como Hans Kelsen, Rui Barbosa, Arruda Alvim, Ives Gandra e Nelson Wilians, entre (nem tantos assim) outros. Cada um com sua maneira ímpar de conduzir com maestria o ofício na profissão jurídica.

É válido destacar que maioria dos grandes talentos do mundo não eram perfeitos e nada convencionais, Beethoven era surdo, Picasso era instável, Kennedy egocêntrico, Elvis paranoico, Einstein tinha notas baixas na escola, Arruda Alvim extremamente tímido, Nelson Wilians de origem paupérrima.

Segundo a obra best-seller The 48 Laws of Power (As 48 leis do poder), de autoria de Robert Greene, o mundo em que vivemos é regido por diversas leis e regras, quer nós estejamos conscientes disso ou não. A não ser que nós vivêssemos em uma bolha e não tivéssemos relação com nenhuma outra pessoa, se não compreendermos ou simplesmente ignorarmos a existência e o poder dessas leis, nossa vida estará fadada ao fracasso.

Portanto, para conseguirmos nos proteger e, principalmente sermos exitosos, é fundamental entendermos estas leis e compreender a maneira pela qual o mundo se orquestra. Dessa forma, seremos aptos a enxergar o ecossistema que estamos inseridos, descobrindo as verdadeiras intenções e até a “malícia” nas ações alheias, edificando a percepção de nos tornarmos insubstituíveis.

Basicamente, todos os nossos sonhos e ambições envolvem, de maneira direta ou indireta, a nossa relação com outras pessoas. Quer desejemos um novo emprego, uma promoção, sucesso nos negócios ou aumentarmos nosso círculo de influência. Tudo isso irá depender da nossa habilidade de lidar com outras pessoas.

A Lei n. 11 da obra nos ensina – Aprenda a manter as pessoas dependentes de você. Para construir e manter a sua independência é fundamental sermos sempre insubstituíveis, ou seja, quanto mais os seus clientes dependerem de nós, mais liberdade teremos, faça seus clientes se sentirem seguros e prósperos por meio do seu trabalho e você não terá o que temer.

A necessidade governa o mundo. As pessoas raramente agem se não forem forçadas a agir, se não formos necessários para os outros, provavelmente seremos descartados na primeira oportunidade, seja por uma falta de senso de urgência ou por outro advogado com honorários mais atrativos. Por outro lado, se efetivamente compreendermos esta lei e fizermos com que os outros precisem de nós para obterem a segurança, o sucesso e os benefícios desejados, contrapondo as fraquezas deles com nossas habilidades, então, nós não apenas sobreviveremos, como seremos intocáveis, conquistando um enorme poder sobre eles.

A maneira mais assertiva de construir essa posição é criando uma relação perene de dependência. O pilar fundamental é a imersão e penetrar no trabalho dos clientes, nos tornando tão essenciais para a saúde do negócio, de tal forma que eles jamais consigam cogitar a hipótese de não contarem com a nossa presença e prestação de serviços. A ausência deve ser interpretada como um risco na operação do negócio. No melhor dos casos eles deverá investir seu escasso tempo ou precioso dinheiro na tentativa de substituir nossa dolorosa ausência.

Uma das melhores maneiras para edificar essa relação é possuindo conhecimentos e habilidades insubstituíveis. Mas se você não for detentor destas habilidades e, consequentemente, não ser realmente indispensável, procure outras maneiras para sê-lo.

Herry Kissinger conseguiu sobreviver a diversos episódios na casa Branca, durante o governo de Nixon, não porque era o melhor diplomata que o presidente poderia encontrar ou porque eles de dessem bem, na verdade eles tinham conflitos terríveis. Na realidade, Kissinger sobreviveu porque estava envolvido em tantos aspectos, departamentos e áreas de toda estrutura política norte-americana que o seu afastamento pela sua influência poderia significar o fracasso do governo de Nixon. Se você conquistar uma relação como essa por meio de diversas relações de interdependência, você se tornará insubstituível.

Uma outra maneira de fazer com que seus clientes sejam dependentes de você é utilizar a tática das informações secretas. Ao saber o segredo dos seus clientes e de sua operação, guardando informações delicadas e críticas, mesmo com um termo de confidencialidade e não concorrência, eles raramente irão arriscar lhe dispensar, em outras palavras, você se tornará intocável.

Entre tantos outros relatos históricos, durante o reinado de Luís XI, o grande Rei Aranha da França, havia em sua corte um astrólogo pelo qual o Rei tinha uma forte admiração. Certo dia, o astrólogo previu que uma senhora integrante da corte morreria dentro de oito dias. Embora tivesse um grande interesse por astrologia e realmente admirasse aquele homem, quando a profecia se realizou, Luís ficou assustadíssimo. Ou o astrólogo havia assassinado a mulher para provar suas habilidades, ou ele realmente possuía poderes sobrenaturais que representavam uma ameaça para o próprio Rei. Luís XI decretou a sua execução.

O Rei então planejou a morte do astrólogo e combinou com seus criados que eles deveriam chamar o homem até seu quarto, no ponto mais alto do castelo, e então ao fazer um sinal combinado, os criados deveriam erguê-lo e arremessá-lo do alto da torre.

Quando o astrólogo finalmente chegou, Luís resolveu fazer uma última pergunta:

– Você diz saber o destino das pessoas, então, me diga, qual será o deu destino?

O astrólogo respondeu:

– Morrerei três dias antes de Vossa Majestade!

O Rei ficou calado com a resposta e imediatamente mudou de ideia, poupando a vida do astrólogo. Porém, não só a vida do astrólogo foi poupada, mas daquele dia em diante, o Rei Luís XI fez de tudo para proteger e prolongar a vida do profeta. Ele até enchia o homem de presentes, o convidava para os melhores banquetes e fazia questão que fosse tratado pelos melhores médicos franceses. No fim, o astrólogo morreu anos depois do Rei, desmentindo seu poder de profecia, mas provando sua perícia no poder.

Segundo Coco Chanel: “Para ser insubstituível, você precisa ser diferente”. E provocamos a reflexão: Você é um advogado insubstituível? Seja por meio das competências e habilidades únicas em uma frente de atuação, seja por intermédio da influência nas relações interpessoais, seja por guardar informações confidenciais ou por apresentar uma imagem ilibada na comunicação. Qual a diferença que aplicamos diariamente em nossa profissão para sermos insubstituíveis? O diferencial compete a cada um de nós ou seremos arremessados do ponto mais alto da torre.

*Bruno Bom, advogado e publicitário, especialista em Marketing jurídico, fundador da BBDE Marketing Jurídico, diretor de Marketing do IBDP. Autor da obra best-seller Marketing Jurídico na Prática, publicado pela editora Revista dos Tribunais

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