Vivemos uma verdadeira herança à propina, diz procurador da Lava Jato

Vivemos uma verdadeira herança à propina, diz procurador da Lava Jato

Roberson Pozzobon, da força-tarefa da operação, afirma que Roberto Gonçalves, preso nesta terça-feira, 28, na Paralelo, substituiu Pedro Barusco na gerência Executiva de Engenharia da Petrobrás e também no recebimento de vantagens indevidas: 'na sucessão do cargo também se passou o bastão da propina'

Julia Affonso, Ricardo Brandt, Luiz Vassallo e Mateus Coutinho

28 Março 2017 | 11h05

Roberson Henrique Pozzobon. Foto: Divulgação

Roberson Henrique Pozzobon. Foto: Divulgação

O procurador Roberson Pozzobon, da força-tarefa da Operação Lava Jato, apontou nesta terça-feira, 28, para uma ‘verdadeira herança à propina’. Sucessor de Pedro Barusco na gerência Executiva de Engenharia e Serviços da Petrobrás, o ex-executivo da estatal Roberto Gonçalves foi preso em Boa Vista, Roraima, na manhã desta terça, alvo da Operação Paralelo, 39ª fase da Lava Jato.

Roberto Gonçalves ficou no cargo entre março de 2011 e maio de 2012. Barusco é um dos delatores da Lava Jato e confessou ter recebido US$ 97 milhões em propinas.

“Havia um certo direito adquirido à propina. Por que um certo direito adquirido? Mesmo após os funcionários da Petrobrás corrompidos saírem da estatal, eles continuavam recebendo por um, dois ou três anos valores das empresas corruptoras quando não tinham qualquer influência naquele cargo. Hoje nós vivemos uma verdadeira herança à propina”, declarou o procurador.

Segundo Pozzobon, ‘a partir de diversas colaborações, documentos e cooperações internacionais’, foi revelado que após a saída de Pedro Barusco da gerência, ‘na sucessão do cargo também se passou o bastão da propina’.

“Pedro Barusco conversou com executivos da UTC, da Odebrecht e falou: ‘Olha, a partir de agora, quem vai receber propina em favor da gerência de Engenharia da Petrobrás será o Roberto Gonçalves. Conversem com ele’. Foi nesse sentido que o colaborador e então operador financeiro Mário Góes revelou que passou a fazer pagamentos em dinheiro a Roberto Gonçalves e também pagamentos via remessa ao exterior”, relatou Roberson Pozzobon.

“Interessante nesta fase da Lava Jato é o que restou evidenciado no sentido de uma sucessão de pessoas, não apenas no cargo de gerente de Engenharia da Petrobrás, mas no recebimento das propinas. Passados três anos de Operação Lava Jato, diversas colaborações celebradas, documentos coletados, se verificou que a corrupção é intergeracional, ela passa de geração em geração, infelizmente, de pai para filho.”

O ex-gerente da Petrobrás Roberto Gonçalves foi preso em Boa Vista, Roraima. Segundo nota da Polícia Federal, a investigação apura a atuação de operadores no mercado financeiro em benefício de investigados no âmbito da Operação Lava Jato. A atuação teria se dado no âmbito de uma corretora de valores a qual é suspeita de ter realizado a movimentação de recursos de origem ilícita para viabilizar pagamentos indevidos de funcionários e executivos da Petrobrás.

A investigação ainda tem por objetivo apurar a responsabilidade criminal do ex-executivo da Diretoria de Engenharia e Serviços da Petrobrás, apontado como o beneficiário de diversos pagamentos em contas clandestinas no exterior, feitos por empreiteiras que contrataram com a empresa.

O termo paralelo é utilizado em uma simples alusão a atuação clandestina à margem dos órgãos de controles oficiais do mercado financeiro por parte dos investigados.

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