“Vitória do Estado Democrático de Direito”, diz Temer

Por 263 votos a 227, os deputados disseram sim ao parecer pelo arquivamento da acusação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que atribuía ao presidente corrupção passiva no caso JBS.

Luiz Vassallo

02 Agosto 2017 | 22h13

Michel Temer. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Após a Câmara Federal enterrar a denúncia da Procuradoria-Geral da República, o presidente Michel Temer afirmou, nesta quarta-feira, 2, que o placar foi uma ‘vitória do Estado Democrático de Direito’.

“No dia em que a Câmara dos deputados manifestou se de forma clara e incontestável. A decisão soberana do parlamento não é uma vitória pessoal de quem quer que seja. mas é uma conquista do Estado Democrático de Direito”, afirmou o presidente.

Durante o pronunciamento, Temer voltou a dizer que vai encerrar o governo ‘no dia 31 de dezembro de 2018’ e que pretende ‘concluir o trabalho que o governo começou há mais de um ano’, com as reformas econômicas. “Estamos modernizando nossas instituições”.

Por 263 votos a 227, os deputados disseram sim ao parecer pelo arquivamento da acusação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que atribuía ao presidente corrupção passiva no caso JBS.

O presidente Michel Temer foi gravado pelo empresário Joesley Batista no dia 7 de março deste ano. No diálogo, o empresário confessa ao peemedebista pagar uma mensalidade de R$ 50 mil a um procurador da República a fim de vazar informações de inquéritos de interesse do grupo JBS. O procurador da República Ângelo Goulart Villela foi preso preventivamente por suspeita de ser o informante de Joesley. No diálogo, ainda é discutida uma suposta compra do silêncio de Eduardo Cunha, condenado a 15 anos na Operação Lava Jato.

No mesmo diálogo, o presidente indica o seu então assessor Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para tratar de qualquer assunto com Joesley Batista. O parlamentar foi flagrado em ação controlada da Polícia Federal pegando uma mala de R$ 500 mil do delator Ricardo Saud, da J&F. Segundo a delação dos executivos, o valor seria em benefício de Temer, e entregue de forma semanal, em contrapartida a uma suposta intervenção de Rocha Loures Junto ao CADE em benefício do grupo.