Vitória de Pirro, da PF, busca ‘compartimento secreto’ em Cumbica

Vitória de Pirro, da PF, busca ‘compartimento secreto’ em Cumbica

28.ª fase da Operação Lava Jato chega a concessões de aeroportos e conduz coercitivamente executiva e presidente da Invepar, braço da OAS que foi uma das vencedoras do primeiro leilão do setor em 2012

Ricardo Brandt, Julia Affonso, Andreza Matais e Alexandre Hisayasu

12 de abril de 2016 | 13h34

depoimento testemunha

A Operação Lava Jato chega em sua 28ª fase – batizada Vitória de Pirro – a um dos setores de maior preocupação do governo federal, as concessões de aeroportos. A Polícia Federal realizou buscas no Aeroporto Internacional de Guarulhos nesta terça-feira, 12, à procura de um suposto compartimento secreto.

Os alvos eram o presidente da Invepar, Gustavo Nunes da Silva Rocha, que foi levado coercitivamente para depor, e Cecília Magnavita. A Lava Jato avaliou dados fornecidos por um colaborador que afirmou que no 3.º andar do setor de administração do Aeroporto de Guarulhos “existiria uma parede falsa e uma das salas onde possivelmente podem ser encontrados provas de crimes”.

Cecília estaria envolvida “em esquema de pagamento de propinas” . Ela seria atual diretora de gestão de projetos do Aeroporto de Cumbica.

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A Invepar é dona da GRUpar, que administra o aeroporto de Cumbica.

O terminal foi um dos três que fizeram parte do primeiro pacote do leilão de concessões de aeroportos no governo Dilma Rousseff, realizado em 2012. A Invepar é o principal ativo em venda no processo de recuperação judicial do Grupo OAS.

No pedido de buscas da Vitório de Pirro foram anexadas trocas de mensagens entre o presidente da OAS José Aldemário Pinheiro, o Léo Pinheiro, e o presidente da Invepar.

Segundo o informante da Lava Jato, a executiva ‘estaria envolvida em pagamentos de propinas para terceiros relacionados especialmente a obtenção da concessão de operação do aeroporto de Guarulhos envolvendo sua ampliação’.

“Cecilia guarda em um ‘fundo falso’ localizado em uma parede de uma das salas do 3º andar do edifício onde exerce suas funções, documentos relevantes criminosos de interesse direto da investigação.”

O informante relatou ainda que Cecília ‘em conluio com o Grupo OAS teria influenciado a escolha da empresa que faria as medições técnicas relativas as obras nos terminais aéreos do aeroporto de Guarulhos’.

“Tais medições fora realizadas de maneira a não convergir com a realidade do que realmente teria sido construído.”

A Invepar divulgou nota em que informa que dissocia as apurações do grupo. “O objeto do mandado refere-se somente a temas específicos da OAS, sem nenhuma referência às concessões e negócios da Inverpar. A Invepar ressalta, ainda, que colabora com as investigações.”

COM A PALAVRA, A INVEPAR

FATO RELEVANTE

INVESTIMENTOS E PARTICIPACÕES EM INFRAESTRUTURA S.A. – INVEPAR (“INVEPAR”) e CONCESSIONÁRIA DO AEROPORTO INTERNACIONAL DE GUARULHOS S.A. (“GRU Airport”) em atendimento às disposições da Instrução da Comissão de Valores Mobiliários nº 358, de 03 de janeiro de 2002, conforme alterada, informam ao mercado que na data de hoje houve uma diligência de busca e apreensão na sede da empresa, e em sua subsidiária Aeroporto de Guarulhos Participações S.A. (“GRUPAR”), controladora de GRU Airport. Na mesma data, houve a condução coercitiva para esclarecimentos do diretor-presidente da Invepar.

O objeto dos mandados em questão:

(i) refere-se somente a temas específicos, entre eles fatos relacionados a seu acionista OAS, detentor de 24,44% das ações da Invepar; e (ii) não contêm nenhuma referência às concessões e atividades da Invepar, Grupar e demais controladas.

O resultado da busca e apreensão se limitou à apreensão de três computadores individuais, algumas unidades de memória, agendas pessoais de dois executivos do grupo e documentos esparsos.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE GIM ARGELLO

O criminalista Marcelo Bessa, defensor do ex-senador Gim Argello, disse que não poderia se manifestar porque está estudando as informações que constam dos autos da Operação Vitória de Pirro.

COM A PALAVRA, A OAS

A OAS informa que estão sendo prestados todos os esclarecimentos solicitados e dado acesso às informações e documentos requeridos pela Polícia Federal, em sua sede em São Paulo, na manhã desta terça-feira. A empresa reforça que está à inteira disposição das autoridades e vai continuar colaborando no que for necessário para as investigações.

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