Vistorias: laudos não devem ir para a gaveta

Vistorias: laudos não devem ir para a gaveta

Flavio F. de Figueiredo*

06 Junho 2018 | 05h10

Flavio F. de Figueiredo. FOTO: DIVULGAÇÃO

Vistorias levadas a sério evitariam tragédias como a do Edifício Wilton Paes de Almeida, no Centro de São Paulo, onde até teriam sido feitas, mas nenhuma providência foi tomada. Os laudos, principalmente em casos alarmantes e urgentes, não devem e não podem ficar perdidos em burocracias e gavetas.

Há menos de um mês ocorreu no Centro de São Paulo um incêndio de grandes proporções, seguido de desabamento e várias mortes. Nos dias seguintes àquela tragédia, foram noticiadas vistorias que teriam sido realizadas no edifício, antes do incêndio.

Em todas as notícias, pelo menos um ponto em comum: vistorias teriam sido feitas, mas nenhuma providência foi tomada. E havia um grande número de alertas sobre a situação do imóvel.

As explicações divulgadas para essa inércia e tantas outras que sabemos são as mais diversas possíveis: desde a realização de vistorias que não mostrariam irregularidades na estrutura (mas, e o sistema elétrico, alguém acaso examinou?), até o já conhecido excesso de burocracia, que manteve os Laudos de Vistoria na gaveta.

Infelizmente, é muito comum ver vistorias abandonadas, quer por serem imprestáveis – em razão de erros de especificação ou de baixa qualidade, por exemplo -, quer por serem executadas sem que os seus destinatários tenham conhecimento que os seus resultados devem ensejar providências urgentes e necessárias.

Em obras civis, tanto de edifícios, como de infraestrutura, as vistorias visam caracterizar diversas fases de suas vidas – desde sua implantação até sua utilização – e fornecem importantes subsídios para seus responsáveis.

As vistorias são fundamentais e podem mostrar como está sendo utilizada a edificação ou a obra de infraestrutura, como é feita sua manutenção, se o uso está adequado ou se há adaptações indevidas, deteriorações precoces ou naturais, etc…

Essas constatações – e, em especial, os relatos de situações que representam risco elevado – são importantes para fundamentar decisões acerca de intervenções que possam ser necessárias no bem ou na sua utilização.

São requisitos básicos para um bom trabalho de vistoria: especificação adequada e execução nos momentos certos por profissionais experientes.

No entanto, mesmo uma ótima vistoria perderá sua utilidade se o Laudo – o documento que dela resulta – ficar perdido nos escaninhos da burocracia ou esquecido em arquivos. Somente com a tomada das providências que esse retrato fiel da situação mostrará serem necessárias é que se poderá evitar perdas patrimoniais e de vidas.

*Flavio F. de Figueiredo, engenheiro civil, consultor, conselheiro do IBAPE/SP – Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de São Paulo e diretor da Figueiredo & Associados Consultoria. Nesta quinta-feira, 7, lança a obra que coordenou e da qual é um dos autores: Vistorias em Obras Civis: Aplicações a Administração de Ativos e Gestão de Conflitos

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