Violência contra a mulher, um roteiro que se repete

Violência contra a mulher, um roteiro que se repete

Raquel Kobashi Gallinati*

13 de julho de 2021 | 08h05

Raquel Kobashi Gallinati. FOTO: DIVULGAÇÃO

No domingo, dia 11, Pamella Holanda postou em suas redes sociais vídeos chocantes da violência praticada por seu ex-marido, o DJ Ivis, que avança sobre a mulher aos socos.

Por envolver um artista conhecido, o caso ganhou repercussão nacional, e expôs a fragilidade da proteção para as mulheres vítimas de violência no Brasil.

O vídeo não deixa dúvidas sobre a violência. Mas quantas mulheres são mortas no Brasil mesmo resguardadas por medidas protetivas e com inquéritos abertos contra seus algozes?

No domingo foi Pamella, que felizmente está em segurança e pode contar sua história. Mas todos os dias são Marias, Anas, Cláudias, Verônicas e tantas outras, que muitas vezes pagam com a vida só por serem mulheres.

Proteger a vítima de violência doméstica é uma necessidade urgente e o agressor precisa saber que a mulher está amparada e protegida pela lei de maneira efetiva, mesmo que a ocorrência não seja registrada em flagrante.

O caso do DJ Ivis evidencia outro aspecto comum à violência doméstica. O agressor na maior parte dos casos é o companheiro da vítima e a violência ocorre dentro de casa.

A rotina doméstica violenta ocorre gradativamente, com gritos, xingamentos e agressão física. Quando chegam a público, muitos casos já entraram nas estatísticas de feminicídio.

Muitas vezes, a rotina de violência acontece por longos períodos, por ciúme e sentimento de posse.

É preciso cortar o ciclo de violência desde o início, quando começam os primeiros xingamentos ou a primeira violência física.

Temos que agir, educar e proteger, até que a sociedade entenda que o homem não é dono da mulher e não tem direitos sobre ela.

A seguir, algumas medidas que podem interromper o ciclo de violência:

  • Atenção aos primeiros sinais, como agressão verbal, ciúme, necessidade de controle
  •  Engajamento de todos – quando todas as pessoas próximas estão atentas, a denúncia contra o agressor ocorre mais rapidamente, porque muitas vezes a mulher emocionalmente envolvida demora para denunciar.
  • Combater repetição de estereótipos de gênero – atitude ainda é culturalmente aceita e reforça atitudes machistas, que podem incluir a violência contra a mulher.
  • Criação de uma rede de proteção à vítima – a mulher denuncia mais facilmente quando tem pessoas de confiança a quem recorrer.
  • Em casa, a mulher não pode se sujeitar à violência por medo. É preciso pedir ajuda a vizinhos, amigos e familiares. O telefone 180 atende casos de violência contra a mulher. Quando se sentir em risco, vá a uma delegacia, denuncie, antes que seja tarde demais e figure nas estatísticas de mais uma vítima de feminicídio.

*Raquel Kobashi Gallinati, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo e diretora da Associação dos Delegados do Brasil

Tudo o que sabemos sobre:

ArtigofeminicídioDJ Ivis

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.