Vinho ‘Moro’ é disputado em degustação no Senado

Vinho ‘Moro’ é disputado em degustação no Senado

Enquanto dissecavam o pacote anticrime do ministro da Justiça, senadores e seus assessores degustavam um vinho de nome “Moro”; “Está em alta atualmente, sou a favor do Moro”, disse o vice-presidente do Senado, Lasier Martins (Podemos-RS)

Felipe Frazão/BRASÍLIA

09 de julho de 2019 | 21h36

Foto: Felipe Frazão/ESTADÃO

Um “Moro” equilibrado desceu macio e agradou o paladar no Senado. Outro Moro causou debates e certa indigestão na Câmara. Na tarde desta terça-feira, 9, um vinho de nome “Moro” era disputado entre senadores e assessores que se acotovelavam durante uma degustação de queijos artesanais, no cafezinho do plenário. Enquanto isso, do outro lado do parlamento, deputados dissecavam o pacote anticrime do ministro da Justiça, Sergio Moro, com críticas à proposta do ex-juiz da Lava Jato.

Os debates sobre o pacote de Moro se arrastaram pela tarde, mas o vinho Moro, de produção familiar na Serra Gaúcha, desapareceu rapidamente nas mini taças de plástico erguidas por senadores e servidores. Foi o primeiro item a acabar, batendo concorrentes mais renomados, como os vinhos catarinenses Innominabile Lote VI e Além Mar, da vinícola boutique Villaggio Grando, e o rosé da Villa Francioni, que agradou à cantora Madonna. Antes de a última garrafa ser esvaziada, a senadora Soraya Thronicke (PSL-MS) ganhou um Moro, Merlot, para celebrar a aprovação de pautas do governo.

Foto: Felipe Frazão/ESTADÃO

“Moro está em alta atualmente, sou a favor do Moro”, disse o vice-presidente do Senado, Lasier Martins (Podemos-RS), ao provar do tinto. Lasier levou um queijo artesanal e mel ao evento. Não conhecia o tinto Moro e provou a versão de uma das castas francesas mais bem adaptada ao solo de Monte Belo do Sul, no Vale dos Vinhedos. Além da Merlot, a vinícola Casa João Moro Vinhos produz versões Cabernet Sauvignon, o branco Moscato com Trebiano e espumantes.

Pai, mãe e dois irmãos conduzem a empresa familiar, entre eles o vereador Lademir Moro, do MDB de Monte Belo do Sul, que enviou as caixas do vinho por meio do deputado Alceu Moreira (MDB-RS), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária. A família acredita ter vínculos de parentesco com o ex-juiz Sergio Moro. Em levantamentos cartoriais a partir de Monte Belo, descobriu-se que familiares descendenstes de italianos foram viver em Curitiba.

Entre queijos minas, canastra, parmesão e brie com variações de leite de cabra, vaca e ovelha, uma goiabada foi oferecida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), como revelou a deputada Katia Abreu (PDT-TO). “Entregou o motivo da robustez do meu corpo”, brincou Alcolumbre.

Se o vinho Moro fez sucesso entre as bebidas, houve fila na frente da raclette com pão e antepastos na mesa com nome do senador Valderlan Cardoso (PP-GO). O convescote foi uma comemoração incentivada por parlamentares e pequenos produtores, por causa da aprovação do projeto que normatizou a produção e permitiu a venda de queijos artesanais no País e no exterior. A lei aguarda sanção do presidente Jair Bolsonaro.

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