‘Vídeo imundo e abjeto’, diz o decano

‘Vídeo imundo e abjeto’, diz o decano

Celso de Mello, do Supremo, reage com veemência aos ataques sofridos por sua colega, ministra Rosa Weber, em imagem que circula nas redes sociais

Redação

23 de outubro de 2018 | 17h42

O decano do STF, ministro Celso de Mello. Foto: André Dusek/Estadão

O ministro Celso de Mello, decano do Supremo, reagiu enfaticamente ao vídeo que circula nas redes sociais com ataques à sua colega, a ministra Rosa Weber. “Vídeo imundo e abjeto”, disse o ministro, na sessão da Segunda Turma do Supremo, desta terça, 23, em que se solidarizou à ministra presidente do Tribunal Superior Eleitoral.

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“Circulou, na Internet, um vídeo com criminosas ofensas morais à honra, à dignidade, à alta respeitabilidade e à integridade pessoal e ilibada reputação da eminente Ministra Rosa Weber, Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, juíza deste Supremo Tribunal Federal e magistrada de irrepreensível conduta profissional!”, disse Celso de Mello.

A Segunda Turma decidiu pedir à Procuradoria-Geral da República que investigue o vídeo em que um homem identificado como coronel do Exército e apoiador de Jair Bolsonaro dispara uma série de ofensas a integrantes da Corte. Rosa é chamada de ‘salafrária’, ‘corrupta’ e ‘incompetente’.

Celso de Mello disse. “O discurso imundo, sórdido e repugnante do agente que ofendeu a honra da ministra Rosa Weber, uma mulher digna e magistrada de honorabilidade inatacável, que exerce, como sempre exerceu, a função judicial com talento e isenção, de modo sóbrio e competente, exteriorizou-se mediante linguagem profundamente insultuosa, desqualificada por palavras superlativamente grosseiras e boçais, próprias de quem possui reduzidíssimo e tosco universo vocabular, indignas de quem diz ser Oficial das Forças Armadas, Instituições permanentes do Estado brasileiro que se posicionam acima das paixões irracionais e não se deixam por elas contaminar, paixões essas que cegam aqueles que, a pretexto de exercerem a liberdade de palavra, que constitui um dos mais preciosos privilégios dos cidadãos da República, resvalam para o plano subalterno da prática abusiva e criminosa da calúnia, da difamação e da injúria.”

Ainda Celso de Mello. “O primarismo vociferante desse ofensor da honra alheia faz-me lembrar daqueles personagens patéticos que, privados da capacidade de pensar com inteligência, optam por manifestar ódio visceral e demonstrar intolerância radical contra os que consideram seus inimigos, expressando, na anomalia dessa conduta, a incapacidade de conviver em harmonia e com respeito pela alteridade no seio de uma sociedade fundada em bases democráticas.”

Na avaliação do decano, o vídeo ‘constitui verdadeiro corpo de delito comprobatório da infâmia’.

“Todo esse quadro que resulta do vídeo imundo e abjeto que mencionei, vídeo esse que, longe de traduzir expressão legítima da liberdade de palavra, constitui verdadeiro corpo de delito comprobatório da infâmia perpetrada por referido autor das ofensas morais, leva-me a repudiar com veemência e a desprezar com repugnância tão desonroso comportamento em que incidiu o militar em questão, não só para vergonha e ultraje do sentimento de decência que nos anima a todos, mas, sobretudo, para constrangimento da Força Singular a que diz pertencer!”

“Quero estender, bem por isso, a minha pessoal e irrestrita solidariedade à eminente e honrada Ministra Rosa Weber, magistrada de valor, brilho e seriedade incomparáveis cujo inconspurcável patrimônio moral tem o integral respeito de todos os seus colegas deste Supremo Tribunal Federal e da comunidade jurídica em geral, pois os injustos e criminosos ataques à sua honra ilibada representam um ultraje inaceitável a esta Suprema Corte, à ordem democrática e ao Poder Judiciário do Brasil!”, seguiu o decano.

Celso de Mello também declarou solidariedade a outros três colegas da Corte. “Finalmente, Senhor Presidente, a minha solidariedade estende-se, por igualdade de razões, aos eminentes Ministros Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Luiz Fux, que são magistrados probos e exemplares cuja integridade pessoal e comportamento profissional desautoriza os doestos contra eles assacados e os vilipêndios que criminosamente atingiram, de modo injusto, o patrimônio moral desses eminentes Juízes do Supremo Tribunal Federal.”

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