Vida longa aos bares e restaurantes

Vida longa aos bares e restaurantes

Gregorio Gutiérrez*

06 de janeiro de 2021 | 07h00

Gregorio Gutiérrez. FOTO: DIVULGAÇÃO

A vida noturna das cidades brasileiras, aos poucos, tem voltado a ganhar movimento. Algumas com mais restrições, outras com menos, mas o fato é que bares e restaurantes lutaram bravamente para sobreviver durante esses mais de nove meses da pandemia do Covid-19. O segmento certamente foi um dos mais prejudicados desde que os estabelecimentos foram obrigados a fechar as portas no início do ano.

Segundo o último levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), 53% das empresas do setor encerraram setembro no prejuízo e 56% apresentam faturamento de menos da metade do registrado em igual período em 2019. E estamos falando de um setor que emprega seis milhões de pessoas.

Os dados da Abrasel mostraram ainda que 62% dos estabelecimentos fizeram novos empréstimos para manter o negócio, e outros 18% tentaram, mas tiveram negativa das instituições financeiras. Vale lembrar que praticamente a totalidade dos bares e restaurantes (88%) são considerados micro ou pequenas empresas (com faturamento de até R$ 4,8 milhões).

Também não podemos esquecer que esse cenário impacta toda uma cadeia produtiva. A indústria de bebidas, por exemplo, também sofreu e, de acordo com a Abrabe (Associação Brasileira de Bebidas), a amarga uma queda de 40% no volume de vendas. No caso da cachaça, um produto genuinamente brasileiro, o impacto negativo das vendas deve ser superior a 20%, mesmo com a autorização de reabertura. Também não podemos esquecer dos setores de alimentação e insumos.

As perdas são volumosas e, por trás de cada um desses números, existe uma história de um trabalhador que perdeu o emprego e teme pelo futuro, de comunidades privadas de interação e de pequenos proprietários que podem perder o investimento de toda uma vida.

É dentro dessa perspectiva que iniciativas de empresas e entidades do setor podem trazer alento e suporte aos estabelecimentos para ajudar a promover a retomada das atividades. O Movimento Pró-Bar é um exemplo concreto do que pode ser feito. Por meio de um fundo de R$ 15 milhões, serão doados equipamentos e materiais a milhares de bares e restaurantes das capitais São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Fortaleza para contribuir com recuperação desse mercado.

Ao mesmo tempo, assumir ações concretas quanto às medidas para um retorno seguro deve incluir não apenas a adoção protocolos de higiene e distanciamento social, mas outros aspectos importantes para a sociedade que se refletem nos ambientes de bares e restaurantes. Compromissos em promover a responsabilidade e a moderação no consumo de bebidas alcoólicas, de incentivar a diversidade e a inclusão e de combater o assédio são essenciais.

Foi justamente pensando nisso que surgiu o Manifesto #BarResponsável (www.manifestobarresponsavel.org), uma iniciativa setorial, com engajamento de indústrias, entidades governamentais, associações de classe, bares e restaurantes e representantes da sociedade civil. O objetivo é defender melhores práticas para ressurgirmos melhores, mais fortes e mais atentos às transformações que ocorrem ao nosso redor.

Esses compromissos vão muito além de tentar remediar os impactos da pandemia do novo coronavírus. Trata-se de um comprometimento de longo prazo para reforçar o papel social de bares e restaurantes, como pontos de encontro da comunidade, espaços capazes de influenciar positivamente o comportamento dos consumidores.

Acreditamos que, por meio da construção de pactos comuns, os estabelecimentos possam trilhar uma jornada de retomada de suas atividades em um patamar seguro, saudável e sem excessos, prevalecendo como um elemento fundamental do dia a dia do brasileiro.

Temos de reconhecer o cenário difícil e agir ainda mais com determinação.  Não podemos ignorar que o número de pessoas infectadas ainda está crescendo em nosso País. E, por esse motivo, todos os atores da noite brasileira precisam fazer a sua parte com ações efetivas de cumprimento dos protocolos. Os frequentadores de bares e restaurantes também têm o dever de assumir posturas aderentes à situação atual, cuidando de si e do próximo, e serem cobrados por tais atitudes.

Portanto, o momento exige que atuemos como agentes da transformação para ajudar a sociedade a superar os imensos desafios dos nossos tempos, trabalhando e inovando com a participação de todos aqueles que vislumbram um futuro melhor construído aqui e agora.

*Gregorio Gutiérrez, presidente da Diageo na região PUB (Paraguai, Uruguai e Brasil)

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