Vice-líder do governo na Câmara pede investigação de Jorge Solla, que chamou Bolsonaro e filhos de ‘quadrilha’

Vice-líder do governo na Câmara pede investigação de Jorge Solla, que chamou Bolsonaro e filhos de ‘quadrilha’

Deputado federal Sanderson (PSL-RS) denunciou petista à Procuradoria-Geral da República por 'ofensa à integridade do presidente, seus familiares e apoiadores'

Rayssa Motta e Fausto Macedo

17 de julho de 2020 | 15h41

Os deputados federais Sanderson e Jorge Solla. Fotos: Divulgação / Assessoria de Imprensa e Antonio Augusto / Câmara dos Deputados

O deputado federal Sanderson (PSL-RS), vice-líder do governo na Câmara, enviou ao Procurador-Geral da República, Augusto Aras, um pedido para que o também deputado Jorge Solla (PT-BA) seja investigado por críticas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e aos parlamentares aliados ao governo.

Sanderson afirma que o colega de Parlamento imputou condutas criminosas ao chefe do Executivo federal e aos deputados bolsonaristas ao afirmar que há um genocídio em curso na condução da pandemia da covid-19 e ao se referir ao presidente e aos seus filhos como uma ‘quadrilha que se apossou do Palácio do Planalto’ e está desmoralizando aqueles que os apoiam.

“A Câmara não será cúmplice desse genocídio causado principalmente por Bolsonaro e sua quadrilha, que assumiu, com insanidade total, a Presidência da República”, disse o deputado de oposição em sessão remota na última quarta, 15.

Sollas emenda dizendo que a prática de desvio de salários de funcionários lotados em gabinetes parlamentares, a chamada ‘rachadinha’, pela qual o filho mais velho do presidente é investigado, foi desenvolvida por Bolsonaro.

“Para aqueles que questionaram a quadrilha Bolsonaro, eu vou desenhar. Bolsonaro ficou 27 anos na Câmara desenvolvendo a tecnologia da rachadinha, apropriando-se ilegalmente do salário de assessores fantasmas. Ele montou uma máfia, um clã parlamentar com seus filhos, e transferiu a tecnologia. Os meninos são bons alunos e aprenderam muito com o pai. Eles desenvolveram essa máfia na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e o Queiroz era o operador, era o caixa. E eles a ampliaram”, disse o deputado.

O petista afirmou ainda que a família tem ligação com milicianos do Rio: “Além das rachadinhas e dos salários de assessores fantasmas, envolveram-se com a milícia, ganharam dinheiro ilegalmente da milícia do Rio de Janeiro, defenderam, homenagearam a milícia. Então, essa quadrilha que se apossou do Palácio do Planalto está sendo desmoralizada e está desmoralizando Vossas Excelências, que inclusive estão sendo alvo de investigação no inquérito das fake news”.

No documento enviado à Procuradoria, Sanderson argumenta que a conduta ‘ofende a integridade do presidente da República, seus familiares e apoiadores’ e ‘não condiz com a ética e o decoro que se espera de um parlamentar’.

“Evidente, portanto, que o deputado Jorge Solla agiu em desconformidade com a legislação penal, o que justifica que sejam adotadas as medidas cabíveis pela PGR para apurar a possível prática delitiva contra o presidente da República”, sustenta.

COM A PALAVRA, O DEPUTADO JORGE SOLLA

“O deputado Sanderson deveria estar preocupado que de quarta-feira pra hoje já apareceram novas robustas provas da formação de quadrilha entre Bolsonaro e sua família, como os comprovantes de que a ex-mulher do presidente pagou parte dos 14 imóveis que comprou com dinheiro vivo, sendo ela também acusada de ser funcionário fantasma. Tudo que eu falei no plenário da Câmara é de conhecimento público, está nos autos do inquérito que tramita na Justiça do Rio de Janeiro e no STF, no caso das fake-news.

Eu só lamento que na quarta o deputado Sanderson me garantiu que iria me acionar pelo que eu disse na PGR, mas também no Conselho de Ética, mas parece que recuou. Já que a bancada governista trabalha tanto para obstruir qualquer CPI que tente investigar as relações da milícia e do esquema do laranjal com o presidente e sua família, seria uma grande oportunidade de debatermos, na Câmara dos Deputados, sobre as robustas provas colhidas pelo Ministério Público.

Poderíamos dispor do compartilhamento das provas colhidas no Rio, pedir informações sobre os cheques que irrigaram as contas da primeira-dama, as contas dos filhos do presidente, do pagamento até da escola dos netos e do plano de saúde da família com recursos públicos desviados, oriundos de corrupção. No Conselho de Ética, poderemos concluir que essa associação criminosa se chama quadrilha.”

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