Vice da Camargo Corrêa era contato de Youssef, afirma réu da Lava Jato

Em novo depoimento, Carlos Costa, que atuava como laranja do doleiro, revela que contratos de serviço da GFD eram na verdade pagamento de comissões

Redação

29 de setembro de 2014 | 20h33

Por Mateus Coutinho e Fausto Macedo 

O advogado Carlos Alberto Pereira da Costa, réu na Operação Lava Jato e laranja do doleiro Alberto Youssef, declarou à Justiça Federal, nesta segunda feira, 29, que os contatos do doleiro na Construtora Camargo Correa eram os executivos Eduardo Leite – vice presidente da empreiteira – e João Auler, membro do conselho de administração.

O advogado foi ouvido como testemunha em uma das ações contra Youssef – personagem chave da investigação da Polícia Federal sobre esquema de lavagem de dinheiro e corrupção que pode ter alcançado R$ 10 bilhões. Carlos Costa decidiu colaborar com a Justiça, por isso foi colocado em liberdade.

O depoimento confirma as suspeitas da PF que já havia interceptado trocas de mensagens entre Youssef, o empresário Márcio Bonilho,  e uma outra pessoa que utilizava o apelido “Leitoso”, que seria um executivo da Camargo Corrêa.  A própria assessoria da empreiteira confirmou que Eduardo Leite é o vice-presidente da empresa.

No depoimento desta segunda-feira, Carlos Costa voltou a mencionar ainda que as prestações de serviço previstas nos contratos da GFD não eram realizadas e, pela primeira vez, admitiu que eram relativos a comissões das negociações de Alberto Youssef com empreiteiras. “O que me disse o Alberto (Youssef) é que era um comissionamento sobre a negociação de venda de tubos da Sanko para a Camargo Corrêa. Não sei precisar qual o porcentual, não participei da negociação. Minha função era só como procurador da empresa (GFD)”, afirmou o advogado ao ser questionado sobre um contrato da empresa Sanko, cujo diretor comercial era o Márcio Bonilho, com a GFD Investimentos.

VEJA A ÍNTEGRA DO DEPOIMENTO DE CARLOS COSTA À JUSTIÇA (a partir de 16 min ele cita Eduardo Leite)

As empresas do Grupo Sanko (Sanko Sider e Sanko Serviços) são citadas nas investigações do MPF sobre os contratos para as obras da refinaria de Abreu e Lima da Petrobrás, em Pernambuco. O Consórcio CNCC (Consórcio Nacional Camargo Corrêa) foi o vencedor de uma das licitações das obras da refinaria em 2008 e contratou a Sanko Sider, que vendeu tubulações, flanges e conexões para a obra, e a Sanko Serviços.

As empresas do Grupo Sanko, então, firmaram contratos com a MO Consultoria e a GFD Investimentos empresas controladas por Youssef e colocadas em nome de “pessoas interpostas”. A MO era empresa de fachada, enquanto a GFD seria utilizada para ocultação do patrimônio de Youssef. No depoimento desta segunda, Carlos afirmou que um contrato de prestação de serviços da GFD com a Sanko nunca foi cumprido. “Sim era um contrato de consultoria financeira e não foi prestado esse serviço. Era comissionamento, mas a GFD não podia emitir nota de comissionamento porque no contrato social da GFD não prevê esse tipo de prestação de serviço (pagamento de comissões)”, explicou o advogado.

Segundo a denúncia do MPF, com base na quebra do sigilo fiscal das empresas, a Sanko Sider e a Sanko Serviços receberam R$ 113 milhões do CNCC e da Camargo Corrêa entre 2009 e 2013. Parte deste valor, de acordo com a Procuradoria, incluía contratos superfaturados e desvio de dinheiro de recursos da Petrobrás que seriam utilizados para pagamento de propina a políticos.  Entre 2009 e 2013 a Sanko Sider e a Sanko Serviços repassaram R$ 26 milhões para a MO Consultoria provenientes de contratos com o CNCC

Neste mesmo período (2009 a 2013), as empresas do grupo Sanko repassaram, de acordo com o MPF,  R$ 26 milhões para a MO Consultoria provenientes de contratos com o CNCC.

COM A PALAVRA, A CNCC E A CAMARGO CORRÊA

Procurados pela reportagem, o Consórcio CNCC e a empreiteira Camargo Corrêa divulgaram nota negando ter relacionamento comercial com Youssef ou qualquer uma de suas empresas.

Abaixo a íntegra da nota

“O Consórcio CNCC e a Camargo Corrêa jamais mantiveram qualquer tipo de relacionamento comercial com Alberto Youssef, nem com qualquer uma de suas empresas, e não podem responder por pagamentos de terceiros. A Sanko Sider, fornecedor cadastrado na Petrobrás há mais de 10 anos, foi contratado pelo CNCC por concorrência de menor preço para o fornecimento de mais 200 mil itens de tubulação e serviços nas obras à cargo do Consórcio CNCC na Refinaria Abreu e Lima, que já foram entregues e devidamente prestados após comprovação pela Petrobrás.”

COM A PALAVRA, O GRUPO SANKO

Veja a íntegra da nota divulgada pelo Grupo Sanko

“É necessário enfatizar que, desde o início, e em todas nossas manifestações, estamos afirmando exatamente isso que agora aparece como “revelação”. Atingidos de forma brutal, buscamos demonstrar de forma transparente nossa idoneidade construída com trabalho e dedicação ao longo de 18 anos, reconhecidos pelo mercado:

1 – Alberto Yousseff foi representante de vendas da Sanko-Sider (todo o trabalho de vendas da Sanko-Sider é terceirizado). Ele fez as vendas; recebeu as comissões de praxe no mercado, tudo mediante notas fiscais contabilizadas e tributadas, com pagamentos via sistema bancário às empresas por ele indicadas. Conforme as investigações vêm confirmando, as informações prestadas pelo Grupo Sanko são absolutamente corretas. E as operações seguem as normas legais vigentes.

2 – Ambas indicadas por Yousseff, a MO foi contratada para a execução de trabalhos técnicos; e a GFD, para representação comercial. Repetimos: a Sanko-Sider não tem equipe própria de vendas, e todo o trabalho do setor é terceirizado.

3 – Estas informações foram por nós prestadas às autoridades há tempos, tão logo se iniciaram as averiguações. Embora sem qualquer solicitação formal, entregamos às autoridades todos os documentos relativos ao relacionamento entre o prestador de serviços e as duas empresas que formam o Grupo Sanko.”

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