Em Minas, vereador reclama de remuneração: ‘isso não é salário de vereador. É de vendedor de laranja, engraxate’

Em Minas, vereador reclama de remuneração: ‘isso não é salário de vereador. É de vendedor de laranja, engraxate’

Artuzinho (DEM) tem mandato em Ibirité, na região metropolitana de Belo Horizonte, e compartilhou o vídeo em suas redes sociais; após repercussão, parlamentar retirou conteúdo do ar

Samuel Costa

12 de fevereiro de 2021 | 14h49

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Artuzinho durante discurso na Câmara de Vereadores de Ibirité. Foto: Reprodução vídeo

Em Ibirité, na região metropolitana de Belo Horizonte, um vereador ficou famoso por seu ‘desabafo’ na Câmara Municipal. Artur Orlando da Silva, o Artuzinho (DEM), que recebe salário bruto de R$7,6 mil — sendo R$5,9 mil líquidos — reclamou que seus vencimentos não condizem com o trabalho de um parlamentar de uma cidade de 200 mil habitantes. Em seu ‘apelo’, ele disse que a remuneração era digna de ‘vendedor de laranja’ ou ‘engraxate’.

Em um país que a média salarial é de R$2.981, segundo dados da pesquisa ‘Onde estão os ricos do Brasil?’, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a declaração do vereador provocou repercussões negativas nas redes sociais. Publicado em sua página no Facebook na última segunda (8), o vídeo já foi retirado do ar nesta sexta (12). Em seu quarto mandato na Casa legislativa, o parlamentar declara, na rede social, que seu gabinete trabalha ‘de mãos dadas com o povo’.

“Eu, vereador, numa cidade de 200 mil habitantes, ganhar R$5.900, um secretário aí ganha oito, dez (mil). Por isso o cara vai pra Prefeitura e não quer ser vereador. ‘Pra’ ganhar R$5.900. (…) Isso não é salário de vereador, isso é salário de vendedor de laranja, engraxate”, afirma o vereador no vídeo. O discurso foi feito na primeira reunião da Câmara em 2021, durante o debate sobre o projeto de lei apresentado pela mesa diretora da Casa, que propõe aumentar os salários dos parlamentares em 4,5%. Se aprovado o texto, os vencimentos brutos chegariam a R$8 mil.

Por meio de nota, Arturzinho disse que não teve a intenção de ‘desqualificar ou desmerecer o trabalho do outro’. Mas que tinha o objetivo de ‘mostrar à sociedade que o salário de vereador de Ibirité não condiz com a subjetividade da população, que imagina que o salário de vereador seja exorbitante’. Ele encerrou pedindo desculpas à população e classificou seu discurso como ‘destempero’. “Espero que o lamentável episódio seja superado em benefício da fraternidade e solidariedade de toda a população ibiriteeense”, concluiu.

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