Vereador aparece secando seu black power em sessão da Câmara de Curitiba; assista

Vereador aparece secando seu black power em sessão da Câmara de Curitiba; assista

Renato Freitas (PT), que participou manifestação ocorrida em fevereiro no centro histórico da capital paranaense, posou tranquilamente dando um trato na cabeleira durante reunião remota do Legislativo, no último dia 8

Redação

15 de março de 2022 | 09h59

O vereador de Curitiba Renato Freitas (PT) – que participou de um protesto antirracista que adentrou uma igreja na capital paranaense no início do mês passado – apareceu secando seu cabelo em reunião remota da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal. Nas imagens, é possível ver o parlamentar com um secador nas mãos, direcionando o jato de ar para seu black power. Depois de alguns segundos, a câmera do vereador é desligada e ele deixa a transmissão.

A entrada de Freitas na reunião se deu quando a CCJ analisava, na última terça-feira, 8, um projeto de lei apresentado pelo vereador Eder Borges (PSD), que defende o ‘desincentivo’ à linguagem neutra ou não binária (veja a partir dos 30’15 no vídeo a seguir).

A relatora, Amalia Tortato (Novo) lia seu parecer sobre o texto, quando Freitas apareceu na reunião. A parlamentar defendeu a anexação do projeto de Borges a outro PL, de teor semelhante, que já está em tramitação na casa.

Freitas foi uma das lideranças políticas presentes em protesto realizado em Curitiba após os assassinatos do congolês Moïse Kabagambe, espancado até a morte por cobrar pagamentos atrasados, e do estoquista de supermercado Durval Teófilo Filho, alvejado pelo vizinho militar que o confundiu com um ladrão.

O protesto terminou em confusão quando os manifestantes entraram na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos de São Benedito, no centro histórico, após celebração de uma missa. Na ocasião, Freitas relatou que, quando o grupo decidiu entrar, os fiéis já tinham ido embora.

“É uma igreja que foi construída em 1737, justamente porque os negros, nossos ancestrais, não podiam frequentar outras igrejas que eram frequentadas por brancos e tiveram que fazer uma igreja apenas para si. Então essa igreja tem um valor simbólico enorme pra gente. Por isso a gente entrou e reivindicou a valorização da vida”, afirmou o vereador em seu perfil do Instagram.

COM A PALAVRA, O VEREADOR

“Reconhecemos a importância da Comissão de Constituição e Justiça, bem como de todos os processos institucionais da Câmara Municipal de Curitiba, por isso nosso mandato honra todos os seus compromissos nessa Casa de Leis. 

O ocorrido durou 35 segundos e não impediu, ou atrapalhou em nada o devido processo da reunião. Lamentamos que fatos como esse sejam mais valorizados pela mídia do que todo o trabalho que realizamos ao longo de nossa trajetória política, dentro e fora da Câmara.

Acreditamos que se trata de mais um caso de perseguição política, bem como tantos outros aos quais temos sido submetidos”.

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