‘Verdadeira associação criminosa’, diz relatório da PF sobre esquema no porto de Santos

‘Verdadeira associação criminosa’, diz relatório da PF sobre esquema no porto de Santos

Leia a representação da Polícia Federal à Justiça pela prisão de 21 investigados, entre eles o ex-deputado Marcelo Squassoni, por supostos desvios de R$ 100 milhões; delegado da Operação Círculo Vicioso diz que grupo 'há tempos vem se enriquecendo mediante o desvio de recursos públicos'

Pepita Ortega e Fausto Macedo

22 de agosto de 2019 | 14h40

Ao decretar a prisão de 21 investigados por supostas fraudes a licitações que causaram prejuízo de mais de R$ 100 milhões à Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) – administradora do porto de Santos, o maior da América Latina -, a Justiça acolheu os argumentos da Polícia Federal, em relatório subscrito pelo delegado Eduardo Alexandre Fontes.

No decorrer das investigações e com base em documentos entregues à PF pela atual direção da empresa que dirige o porto de Santos, foram identificados ‘outros delitos igualmente graves’. Foto: Clayton de Souza/Estadão

“O conjunto de provas produzido com a investigação evidencia a existência de uma verdadeira associação criminosa que há tempos vem se enriquecendo mediante o desvio de recursos públicos da Codesp”, crava o delegado.

Documento

Até agora, a PF prendeu 19 alvos, entre eles o ex-deputado federal Marcelo Squassoni (PRB/SP), apontado como o principal envolvido no esquema do porto.

As fraudes foram descobertas no âmbito da Operação Círculo Vicioso, segunda fase da Operação Tritão.

Essa fase da investigação tem base na delação do empresário Mário Jorge Paladino, que relatou o funcionamento do esquema na Codesp, citando os nomes de Squassoni, de Francisco José Adriano, diretor financeiro da companhia à época dos crimes e de Carlos Henrique de Oliveira Poço, ex-diretor de operações logísticas.

Na representação à Justiça, o delegado Eduardo Alexandre Fontes indica que as provas produzidas durante a primeira fase da Operação Tritão foram confirmadas em grande parte pelo delator e revelaram ‘apenas a ponta de um iceberg’.

No decorrer das investigações e com base em documentos entregues à Polícia Federal pela atual direção da empresa que dirige o porto de Santos, foram identificados ‘outros delitos igualmente graves’.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE MARCELO SQUASSONI

Os advogados do ex-deputado Marcelo Squassoni informaram que vão ingressar ainda nesta quinta, 22, na Justiça Federal em Santos, com pedido de revogação da prisão. Squassoni é representado pelos advogados Marcelo Knoepfelmacher, Mariana Figueiredo Paduan e Felipe Locke Cavalcanti.

“Nós entendemos que a prisão do deputado Squassoni é desnecessária e descabida. Ele colaborou desde o início com as investigações e com a Justiça”, disse Marcelo Knoepfelmacher.

O advogado destacou que ‘inclusive quando detinha prerrogativa de foro, ainda em dezembro de 2018, (Squassoni) prestou dpeoimento voluntariamente’.

“Ele não tinha nem obrigação de depor, já que tinha a prerrogativa”, observa Marcelo Knoepfelmacher. “Pelos elementos coligidos nos autos não há nada de novo que justifique a prisão temporária. Ela é descabida e desnecessária.”

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