Vendedora de carro de luxo diz que operador do PMDB passou dados de mulher de Cerveró

Vendedora de carro de luxo diz que operador do PMDB passou dados de mulher de Cerveró

Testemunha declarou à Lava Jato que Fernando Baiano fechou negócio e ainda mandou blindar Range Rover Evoque de R$ 220 mil confiscado de ex-diretor da Petrobrás

Redação

25 de março de 2015 | 05h22

Por Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt
Uma vendedora da concessionária AutoStar São Paulo Comercial e Importadora afirmou à força-tarefa da Operação Lava Jato que o lobista Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano, passou todos os dados pessoais da mulher do ex-diretor de Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró para registro no ato da aquisição da Range Rover Evoque por R$ 220 mil. O veículo de luxo, segundo foi dado de presente por Fernando Baiano, suposto operador de propinas do PMDB na estatal, para Cerveró, em 2012, aponta a Procuradoria.
Em depoimento aos procuradores da República que integram a força-tarefa, Camila da Costa Barral, funcionária da AutoStar São Paulo, contou que em julho de 2012 Fernando Baiano, que já era cliente da loja, entrou em contato com ela e disse que precisava “indicar uma amiga” para adquirir um veículo LR Evoque Dymanic 5 D.
O operador do PMDB, Fernando Baiano, na PF em Curitiba

O operador do PMDB, Fernando Baiano, na PF em Curitiba

“Fernando Soares passou todos os dados de Patrícia Anne Cunat Cerveró (mulher de Nestor Cerveró)”, declarou a vendedora.
Segundo Camila Barral, o lobista lhe transmitiu inclusive cópias do CPF, RG e comprovante de endereço de Patrícia Cerveró. “Foi exigido que fosse realizado depósito identificado”, disse.
A vendedora afirmou que o veículo foi blindado “também por ordem de Fernando Soares”.
Trecho de depoimento de vendedora do Evoque de Cerveró

Trecho de depoimento de vendedora do Evoque de Cerveró

O carro de luxo custou R$ 220 mil e foi negociado e pago em dinheiro vivo pelo lobista, segundo suspeitam investigadores da Operação Lava Jato.
Baiano e Cerveró estão presos em Curitiba, base da Operação Lava Jato. Eles são réus por corrupção e lavagem de dinheiro na compra de duas sondas de perfuração marítimas da estatal.
Braço do PMDB no esquema de loteamento de diretorias da Petrobrás, Cerveró é acusado de ter recebido US$ 30 milhões de propina.
O presente de luxo foi comprado na mesma loja em que o doleiro Alberto Youssef – alvo central da Operação Lava Jato – adquiriu um carro do mesmo modelo para o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, um ano depois. A Range Rover Evoque de Cerveró foi confiscada pela Justiça Federal.
Para o juiz federal Sérgio Moro – que conduz todas as ações da Lava Jato – “há provas de que a aquisição do veículo teria sido intermediada por Fernando Soares em benefício de Nestor Cerveró, com a participação da esposa deste, Patricia Anne Cunat Cervero”.

 

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