Veja planilha da JBS com registro de R$ 3 mi a Temer em 2010

Veja planilha da JBS com registro de R$ 3 mi a Temer em 2010

'Planilha Julio Bono/Temer' indica três pagamentos de R$ 1 milhão cada, um deles via doação ao PMDB e dois para a Pública Comunicações, empresa do marqueteiro do presidente Elsinho Mouco

Ricardo Brandt, Julia Affonso e Pedro Venceslau

06 de junho de 2017 | 15h48

Elsinho Mouco, marqueteiro de Temer. Foto: PAULO GIANDALIA/ESTADÃO

Os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos do Grupo J&F, entregaram para a força-tarefa da Operação Lava Jato uma planilha com o registro do suposto repasse de R$ 3 milhões de propinas para o presidente Michel Temer (PMDB), em 2010 – eleito pela primeira vez como vice de Dilma Rousseff.

São três pagamento regitrados de R$ 1 milhão cada. Um deles, no dia 10 de agosto, de uma doação para “Comitê Financeiro DF Nacional p/ Pres. da República-PMDB”.

Os outros dois pagamentos, feitos no dias 23 de agosto e 22 de setembro, para a Pública Comunicações, que pertence ao principal marqueteiro de Temer Elsinho Mouco.

Joesley Batista acusa Mouco de receber em 2010 e outros R$ 300 mil em espécie em 2016 a pedido do presidente Temer. O publicitário disse ao Estadão que o empresário o contratou com dois objetivos: eleger o irmão José Batista Júnior em Goiás e “derrubar” a presidente Dilma Rousseff na esteira do movimento pelo impeachment.

Marqueteiro oficial de Temer desde 2002, quando o peemedebista foi eleito deputado federal, Elsinho é ainda hoje o principal conselheiro de comunicação do presidente e um dos redatores de seus discursos.

Numa das conversas entre eles, em maio de 2016, no auge do movimento “Fora, Dilma”, Joesley se ofereceu para pagar por um serviço de monitoramento de redes sociais que nortearia a estratégia do PMDB de blindagem a Temer. Na ocasião, foi incisivo: “Vamos derrubar essa mulher”.

Sua narrativa de defesa, que ainda será apresentada, começa em 2009, ano em que foi chamado para coordenar o projeto político do irmão mais velho da família Batista, e termina em janeiro de 2017 em um encontro regado a “Whisky 18 anos” e “camarões gigantes” na residência de Joesley, no bairro Jardim Europa, na capital paulistana.

Indicado por um amigo em comum, Elsinho desembarcou em Goiânia em 2009 com a missão de colocar “Junior Friboi” na acirrada disputa pelo governo goiano no ano seguinte. O marqueteiro conta que gravou vídeos, fez logotipo, encomendou pesquisas e fez tudo mais que o script de uma campanha competitiva e com recursos ilimitados exige.

 

Assessor. Entregue por Joesley Batista, principal nome da J&F, a planilha “PMDB – Julio Bono/Temer” serve de provas para as investigações da Lava Jato, contra Temer, que virou alvo oficial de inquérito aberto por ordem do ministro Edson Fachin, relator dos processos no Supremo Tribunal Federal.

Julio Bono, que está associado a Temer, era um dos principais assessores do presidente. Coronel aposentado da Polícia Militar, Bono foi até 2010 braço direito do peemedebista. Em novembro daquele ano, ele morreu afogado, em Porto de Galinhas (PE).

Joesley afirmou que repassou as planilhas do pagamento de aproximadamente R$ 500 milhões para políticos, dos quais R$ 400 milhões por meio de doações oficiais e R$ 100 milhões utilizando notas frias e contratos falsos. Do total de meio milhão, o delator estima que R$ 400 milhões foram em troca de “atos de ofício” dos beneficiados.