Veja o que dizem os alvos da Abismo

Veja o que dizem os alvos da Abismo

31ª fase da Lava Jato foi deflagrada pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal e pela Receita contra fraudes de R$ 39 milhões na construção do Centro de Pesquisas da Petrobrás

Vitor Tavares

04 de julho de 2016 | 16h58

Cenpes. Foto: Fábio Motta/Estadão

Cenpes. Foto: Fábio Motta/Estadão

Atualizada às 18h09

A Operação Abismo, 31ª fase da Lava Jato, foi deflagrada pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal e pela Receita contra fraudes de R$ 39 milhões na construção do Centro de Pesquisas da Petrobrás. A pedido da Procuradoria da República, o juiz federal Sérgio Moro expediu 24 mandados de busca e apreensão, 1 de prisão preventiva, 4 de custódias temporárias e 7 conduções coercitivas – quando o investigado é levado para depor e liberado.

O ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira, alvo de mandado de prisão preventiva da Abismo, é suspeito de receber propina em cima das obras de construção do Centro. Os investigadores afirmam que parte dos valores destinados a ele foram repassados à escola de samba Estado Maior da Restinga e a sua madrinha da bateria.

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O controlador da WTorre, Walter Torre Júnior, foi alvo de mandado de condução coercitiva.

As investigações indicam que as principais empreiteiras participantes da licitações do Cenpes se ajustaram em cartel, fixando preços e preferências de modo a frustrar o procedimento competitivo da Petrobrás e a maximizar os seus lucros. A Construtora OAS, Carioca Engenharia, Construbase Engenharia, Schahin Engenharia e Construcap CCPS Engenharia, integrantes do Consórcio Novo Cenpes, ficaram com a obra do Cenpes.

VEJA O QUE DIZEM OS ALVOS DA ABISMO

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA JOSÉ ROBERTO BATOCHIO, QUE DEFENDE PAULO FERREIRA

O advogado José Roberto Batochio, defensor do ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira – alvo da Operação Abismo -, afirmou que ‘não é verdade que ele tenha recebido propinas’.

Batochio atacou as delações premiadas, alma da Operação Lava Jato e todos os seus desdobramentos, como a Abismo.

“Embora possa parecer truísmo, alegação recorrente das defesas técnicas, a tal de delação premiada abriu os portões do inferno e a caixa de Pandora. Para conseguir a impunidade tudo vale para o delator. Verdade ou mentira são detalhes desimportantes”, declarou o criminalista.

“Paulo Ferreira era um político, um deputado federal, e somente uma pessoa que não tem a menor ideia de como se processa uma eleição democrática é que desconhece que o candidato tem que ir às comunidades”, prosseguiu Batochio, em alusão às relações do petista com a escola de samba Estado Maior da Restinga, de Porto Alegre.

“Às vezes, muitos (políticos) vão às comunidades no Rio, por exemplo, e são fotografados no morro, nas comunidades mais pobres. Ai desse político se tiver azar de aparecer nessas fotografias ao lado de um sujeito procurado ou mesmo se o procurado estiver ao fundo na foto. Não haverá perdão.”

José Roberto Batochio criticou o fato de a prisão de Paulo Ferreira ter sido decretada inicialmente pelo juiz federal Sérgio Moro e, depois, pelo juiz federal Paulo Bueno de Azevedo, de São Paulo – neste caso, o ex-tesoureiro foi alvo da Operação Custo Brasil.

“Prisão preventiva em duplicidade, ou seja, dupla prisão preventiva, parece-me um ‘seguro’ de persecutores implacáveis”, ironiza o criminalista. “Ou seja, caso a primeira prisão não se sustente, vamos fazer o ‘seguro’, decretando-se uma segunda ordem de prisão. Isso não pode ser democrático. Não fosse isso, qual seria o sentido de uma prisão dupla? Quem pode explicar isso? O sujeito já está preso, vai ser duas vezes preso?”

“A menos que se trate de uma disputa entre órgãos jurisdicionais para ver quem decreta a prisão primeiro”, disse Batochio.

COM A PALAVRA, A WTORRE

Grupo WTorre esclarece que:

A empresa não teve participação na obra de expansão do Centro de Pesquisas da Petrobras; que não recebeu ou pagou a agente público ou privado nenhum valor referente a esta ou a qualquer outra obra pública.

O Grupo WTorre forneceu a documentação referente ao orçamento desta licitação que ainda se encontrava na empresa e segue à disposição das autoridades.

Por fim, esclarecemos que o empresário Walter Torre Júnior, encontra-se em férias, fora do Brasil e que, portanto, não foi conduzido à sede da Polícia Federal na manhã desta segunda-feira (4)

Diretoria de Comunicação da WTorre S/A

COM A PALAVRA, A OAS

A OAS informou que não irá se pronunciar sobre a Operação Abismo.

COM A PALAVRA, A ESCOLA DE SAMBA

Os integrantes da escola de samba Estado Maior da Restinga, de Porto Alegre, chegaram a viajar para a China por intermediação de Paulo Ferreira, ex-tesoureiro do PT, com a embaixada do país em Brasília, informou o presidente da agremiação, Robson Dias, o Preto.

“Não sei de dinheiro nenhum que tenha vindo da Petrobrás. Nossa relação com o deputado Ferreira é política. Ele tem um grande papel dentro da escola, por abrir portas para empresas e nos ensinar a captar recursos”, declarou Dias.

COM A PALAVRA, A CONSTRUCAP

A Construcap não irá se pronunciar no momento.

COM A PALAVRA, A SCHAHIN ENGENHARIA

O Grupo Schahin compreende os trabalhos de investigação em curso e prosseguirá colaborando com as autoridades, como tem feito até agora.

COM A PALAVRA, A CONSTRUBASE ENGENHARIA

Em relação às investigações da Polícia Federal sobre as obras do Centro de Pesquisa da Petrobras (Cenpes), a Construbase Engenharia informa que está prestando todos os esclarecimentos necessários às autoridades competentes. A empresa vai se manifestar após ter acesso aos documentos da investigação.

COM A PALAVRA, O PT

O PT não vai comentar.

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