Veja a galeria de obras de arte de filho de Lobão

Veja a galeria de obras de arte de filho de Lobão

Márcio Lobão é acusado pela Lava Jato de usar compra e venda de quadros para lavar dinheiro de propinas

Ricardo Brandt e Ricardo Galhardo

04 de novembro de 2019 | 12h14

Veja parte da coleção de obras de arte de Márcio Lobão, filho do ex-senador e ex-ministro de Minas e Energia Edison Lobão (PMDB-MA). Presidente da Brasilcap, empresa do grupo Banco do Brasil, Lobão – o filho – é alvo da Operação Lava Jato por suposto envolvimento em crimes de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo negócios na Petrobrás e na Eletrobrás.

Alvo da Operação Galeria, fase 65 da Lava Jato, deflagrada em 10 de setembro, ele foi denunciado na semana passada à Justiça Federal em Curitiba. A compra e a venda de obras de arte teriam sido usadas para lavar dinheiro. No processo, a Polícia Federal reuniu parte da desproporcional coleção apreendida com Lobão, desde o início da operação.

Documento

A Informação Técnica 121/2019 elaborada pelo Setor Técnico-Científico da PF no Rio de Janeiro lista algumas das obras apreendidas no apartamento 501 da Avenida Atlântica 270, onde mora Márcio Lobão, no Leme. O filho do ex-ministro é figura conhecida no meio das artes do Rio. O documento com imagens das obras e descrição foi elaborado pelos peritos criminais federais Ivan Roberto Ferreira Pinto e Aldemar Maia Neto.

Os investigadores suspeitam que Lobão filho lavou, por meio da compra de obras de arte, pelo menos R$ 10 milhões de toda a propina acumulada. O esquema de lavagem, de acordo com o Ministério Público Federal, envolvia a aquisição e posterior venda de obras de arte sobrevalorizadas, simulação de operações de venda de imóvel, simulação de empréstimo com familiar, interposição de terceiros em operações de compra e venda de obras de arte, e movimentação de valores milionários em contas abertas em nome de empresas offshore no exterior.

Sua coleção inclui obras de artistas contemporâneos dos mais valorizados do Brasil, como Adriana Varejão e Beatriz Milhazes, além do modernista Volpi (1896-1988), também com preços elevados. As obras já haviam sido alvo de buscas da PF em 2017, quando foi deflagrada Operação Leviatã, fase da Lava Jato sobre propinas nas obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

Na denúncia da última semana contra Márcio Lobão e o pai, por propinas recebidas por negócios da Transpetro -subsidiária da Petrobrás – o dono de uma galeria, a Almeida & Dale, foi incluída entre os acusados por envolvimento em operação de lavagem de dinheiro. Lobão filho negociou obra da artista plástica Lygia Pape (1927-2004), apreendida no apartamento do acusado. Entre os denunciados está Carlos Dale Junior, um dos donos galeria.

O advogado da Almeida & Dale, Ralph Tórtima Filho, disse que a galeria não reconhece as acusações de participação em atos de lavagem de dinheiro. “Ele (Carlos Dale Jr.) está extremamente tranquilo. Não cabe a ele, como não cabe a qualquer negociador, verificar a origem dos recursos nas vendas feitas pela galeria.”

Segundo Tórtima, Dale vende obras pelo valor de mercado. “Se antes a obra foi declarada por valor a menor, não é responsabilidade da galeria”, argumentou.

Lobão via defesa tenta trancar as investigações. A força-tarefa da Lava Jato pediu à juíza federal Gabriela Hardt que mantenha uma outra a ação penal contra o ex-ministro Lobão e seu filho, Márcio Lobão, por supostas propinas de R$ 2,8 milhões da Odebrecht. Os procuradores reagem a um pedido da defesa do emedebista, que pedia o trancamento do processo em razão do suposto uso de dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sem autorização judicial.

Defesa. Na carona da decisão do presidente do Supremo Tribunal FederalDias Toffoli, que acolheu pedido da defesa do senador Flávio Bolsonaro (PSL) no caso Queiroz, e suspendeu todas as investigações do País em que se use Relatórios de Inteligência Financeira sem autorização judicial, a defesa do senador pediu que a ação fosse trancada, e que todos os bloqueios e buscas contra o emedebista fossem revogados.

COM A PALAVRA, A DEFESA DA GALERIA ALMEIDA & DALE

A galeria Almeida & Dale divulgou nota, por meio de seu defensor, o advogado Ralph Tórtima Stettinger Filho. Leia a nota:

“A Galeria Almeida & Dale esclarece que, na hipótese mencionada, apenas atuou na intermediação de compra e venda e, no menor tempo possível, estará fornecendo todos os esclarecimentos necessários de sorte a evidenciar a regularidade dessa operação”.

Ralph Tórtima Stettinger Filho, advogado.

 

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