Varejo deve (e agora pode) apostar no crediário por delivery

Varejo deve (e agora pode) apostar no crediário por delivery

Jeison Schneider*

25 de julho de 2020 | 07h00

Jeison Schneider. Foto: Divulgação

Trabalhar com vendas em domicílio, levando seus produtos até a casa do cliente, já é uma prática comum para pequenos lojistas que atuam principalmente no segmento de calçados, roupas e cosméticos. Desde que começou a crise do coronavírus, a antiga estratégia passou a ser utilizada também por algumas médias e grandes redes varejistas desses setores.

O recurso é fantástico, pois além de evitar aglomerações nas lojas traz um novo diferencial competitivo frente à concorrência, uma vez que muitas pessoas ainda têm receio de sair de casa. Em suma, a alternativa traz a possibilidade do lojista ampliar as oportunidades de vendas.

Apesar da iniciativa, algumas redes, por ora, preferem evitar a venda no delivery pelo crediário. Na maioria dos casos, eles alegam como fator principal da decisão o risco de aumento da  inadimplência. A estratégia, porém, pode representar um erro.

Apostar no crediário próprio, mesmo vendendo online e entregando na casa do cliente, é uma decisão que tende a ajudar nas vendas a médio e longo prazo. A marca que aceita apenas o parcelamento por meio do cartão de crédito perde a grande oportunidade de estreitar o relacionamento com o consumidor neste período de transição de isolamento social para a completa reabertura econômica.

Outro ponto é que, em um momento de crise como o atual, as lojas precisarão cada vez mais criar movimento recorrente nos pontos de venda após as pessoas terem segurança plena para retomar à normalidade. Com isso, contar com o cliente de crediário todos os meses na loja para pagar a prestação significa ter oportunidades adicionais para vender.

Os pontos positivos não retiram obviamente o cuidado que as redes varejistas necessitam tomar para realizar a venda com total segurança. Por exemplo, não adianta levar R$ 2.000 em produtos na casa do cliente, se o perfil de risco dele comporta apenas um compra de até R$ 650. Ou seja, antes de transportar qualquer mercadoria à residência do consumidor, é preciso previamente realizar a sua análise de crédito.

Outra precaução envolve a escolha do parcelamento ideal. Imagine que, neste exato momento, seu vendedor está na casa de uma pessoa que comprou R$ 300 em produtos e decidiu parcelar em três vezes (1+2) no carnê. Será que é seguro autorizar a venda no crediário sem entrar em contato com a central de crédito da loja? Atualmente algumas empresas especializadas em análise de crédito permitem que o vendedor faça a análise em questão de segundos por meio de aplicativo. O recurso é vantajoso também porque serve como um recibo virtual para o comprador. Além disso, se for necessário retornar à casa do cliente para receber a parcela no mês seguinte, outro SMS será enviado automaticamente para ele com todas as informações sobre o pagamento.

Vale ressaltar ainda que é importante ter um documento assinado pelo cliente, confirmando seu compromisso com as condições de parcelamento. Nesse caso, como a pessoa não está dentro da loja para assinar o carnê, o ideal é que o lojista trabalhe com nota promissória. Quando o vendedor retorna para a loja, basta lançar o valor da venda no sistema e fazer a impressão do carnê, grampeando junto com a promissória assinada pelo comprador. Dessa forma, a loja conta com um amparo legal caso precise negativar o cliente nos órgãos de proteção ao crédito ou então protestar a dívida na Justiça.

Sem dúvida, ao adotar todas essas “proteções”, as redes varejistas seguramente podem implementar o crediário em domicílio como uma criativa maneira de alavancar as vendas em meio à pandemia.

*Jeison Schneider é sócio fundador e CEO do Meu Crediário. Bacharel em Sistemas de Informação e pós-graduado em desenvolvimento de aplicações web. 

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