Vallisney absolve Geddel na ação por pressão a Funaro

Vallisney absolve Geddel na ação por pressão a Funaro

Juiz federal considerou improcedente denúncia contra ex-ministro por suposta tentativa de embaraço às investigações da Operação Sépsis por meio de intimidações a delator

Fabio Serapião/BRASÍLIA e Luiz Vassallo e Fausto Macedo/SÃO PAULO

04 Julho 2018 | 18h59

Geddel em sua primeira audiência de custódia, quando foi preso por suposta pressão para evitar que o doleiro Lúcio Funaro firmasse acordo com a Procuradoria para confessar seus crimes. Foto: Reprodução de vídeo da 10ª Vara Federal de Brasília

O juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal em Brasília, absolveu o ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB) da acusação de embaraço à investigação no âmbito da operação Cui Bono?, que mira desvios na Caixa Econômica Federal. O emedebista foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) por supostamente ter pressionado, por meio de ligações, a esposa do corretor Lúcio Bolonha Funaro.

O caso, investigado na Operação Cui Bono?, levou Geddel pela primeira vez à prisão, em julho de 2017, antes da descoberta do bunker dos R$ 51 milhões. O ex-ministro, por causa da investigação relacionada ao bunker, está preso no Complexo penitenciário da Papuda, no Distrito Federal (DF).

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Na denúncia contra Geddel, o MPF havia sustentado que, após a prisão de Funaro, o ex-ministro monitorou e constrangeu a mulher do corretor, Raquel Pitta, com a intenção de “influenciá-lo” a não colaborar com as investigações. O pedido de prisão de Geddel e a posterior denúncia contra ele se baseavam em imagens do celular da esposa do corretor que revelava uma série de ligações do ex-ministro enquanto Funaro estava preso na Papuda.

Para o juiz, ‘não há prova de que os telefonemas tenham consistido em monitoramento de organização criminosa, tampouco de que ao mandar um abraço para Funaro, nos telefonemas dados a Raquel, o acusado Geddel, de maneira furtiva, indireta ou subliminar, mandava-lhe recados para atender ou obedecer à organização criminosa’.

Em sua decisão, Vallisney apontou que embora as ligações tivessem sido realizadas ‘não há prova de que os telefonemas tenham consistido em monitoramento de organização criminosa, tampouco de que ao mandar um abraço para Funaro, nos telefonemas dados a Raquel, o acusado Geddel, de maneira furtiva, indireta ou subliminar, mandava-lhe recados para atender ou obedecer à organização criminosa’.

Embora as imagens da tela do celular com as ligações tenham sido entregues pela defesa de Funaro, na fase se interrogatórios tanto o corretor como sua esposa negaram qualquer tipo de pressão. No entendimento de Vallisney, mesmo preso, Funaro sempre mostrou independência, “altivez e destemor, seja nas audiências das quais participava, seja pelo fato de estar sempre amparado por qualificados advogados, não parecendo, num Juízo presumível, ser pessoa que se dobra facilmente”.

O caso. O ex-ministro, que antes não mantinha contato com a mulher de Funaro, teria passado a fazer insistentes ligações para ela, especialmente nas sextas-feiras, dia de vem visitava o marido na prisão. Muitas vezes, os telefonemas eram no período da noite, a propósito de perguntar sobre o “estado de ânimo” de Funaro.

Por meio de seu advogado, Bruno Espiñeira, Funaro fez chegar à PF ‘impressos de ligações’ recebidas por Raquel via WhatsApp. As ligações foram feitas por um certo ‘Carainho’, que, segundo os investigadores, é Geddel.

Em audiência de custódia, quando foi preso pela primeira vez e chorou, de cabeça raspada, em frente às câmeras da 10ª Vara Federal. Na ocasião, ele negou obstrução, mas admitiu mais de dez ligações com a mulher do doleiro.

“Acabei de dizer que nesta ligação se tratou exatamente: ‘como vai você?’, porque é o mínimo. ‘Sua família está bem?’ Não se tratou de marido dela, de esposo dela, nada disso”, afirmou Geddel.