Valério diz a Moro que Lula, Dirceu e Carvalho foram ‘chantageados’ por empresário do ABC

Em depoimento nesta segunda-feira, 12, em Curitiba, publicitário condenado no Mensalão e réu da Lava Jato afirma que ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira lhe contou que Ronan Maria Pinto exigiu R$ 6 milhões do ex-presidente e dos ex-ministros petistas

Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Fausto Macedo e Julia Affonso

12 de setembro de 2016 | 17h08

Marcos Vaélio. Foto: Celso Junior/AE

Marcos Vaélio. Foto: Celso Junior/AE

O empresário Marcos Valério, condenado no Mensalão e réu da Operação Lava Jato, declarou nesta segunda-feira, 12, ao juiz Sérgio Moro, em Curitiba, que o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira disse a ele que o ex-presidente Lula e os ex-ministros José Dirceu e Gilberto Carvalho foram “chantageados” pelo empresário Ronan Maria Pinto que teria exigido deles R$ 6 milhões para comprar o jornal Diário do Grande ABC.

Segundo os investigadores, Ronan seria conhecedor de detalhes do assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel (PT), em janeiro de 2002 – o petista teria sido eliminado porque decidiu dar um fim a esquema de corrupção em sua própria gestão que beneficiou o partido.

Marcos Valério foi ouvido pelo juiz Moro como réu em ação penal da Lava Jato. Ele confirmou ter declarado à Procuradoria-Geral da República em setembro de 2012 que foi procurado para fazer ‘uma movimentação do dinheiro’ supostamente destinado a Ronan – também alvo da Lava Jato.

Segundo o criminalista Marcelo Leonardo, defensor de Valério, o publicitário “chegou a assinar contratos, mas depois que soube das pessoas envolvidas na operação desistiu de participar da movimentação do dinheiro”.

Leonardo disse que Marcos Valério revelou ao juiz da Lava Jato que um ano depois ficou sabendo que a operação de repasse de dinheiro ao empresário do ABC foi efetivada via pecuarista José Carlos Bumlai no Banco Schahin.

Marcos Valério afirmou que “não sabe” exatamente qual teria sido o motivo da chantagem contra Lula e os ex-ministros Dirceu e Gilberto Carvalho.

Ele protestou que “é um homem preso numa penitenciária” (em Minas) e que não daria mais detalhes por “temer represálias”.

Marcelo Leonardo, seu defensor, disse à saída da audiência, que “uma delação (premiada) não está descartada e nela poderão ser revelados novos dados sobre o fato”.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE RONAN MARIA PINTO:

“Trata-se de uma versão isolada, dita por Marcos Valério apenas em 2012 – portanto, oito anos após os supostos fatos. Bem como após o mesmo ter sido condenado a mais de 30 anos de reclusão em outro processo bastante conhecido.

Tal versão, inclusive, já foi peremptoriamente negada pelo próprio Silvio Pereira, que afirmou não ter dito a Marcos Valério que Ronan teria tentado extorquir o Partido dos Trabalhadores ou quem quer que seja.

Fernando José da Costa, advogado de defesa de Ronan Maria Pinto”

Tudo o que sabemos sobre:

operação Lava JatoMarcos Valério

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.