‘Vai ter gente para o aeroporto correndo, hein’, disse homem do ‘oxigênio’ de Cabral em grampo

‘Vai ter gente para o aeroporto correndo, hein’, disse homem do ‘oxigênio’ de Cabral em grampo

Interceptação no dia 14 de novembro, três dias antes da deflagração da Operação Calicute, revela que investigados já sabiam do cerco da PF e preparavam fuga: 'canja de galinha e parrilla uruguaia não mata ninguém não, hein'

Julia Affonso, Fausto Macedo, Mateus Coutinho e Ricardo Brandt

24 de novembro de 2016 | 16h00

grampo

Grampo da Polícia Federal pegou Wagner Jordão Garcia, apontado pela Operação Calicute como arrecadador da ‘taxa de oxigênio’ do esquema de corrupção atribuído ao ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB), tramando uma possível fuga para o Uruguai. A interceptação telefônica ocorreu no dia 14 de novembro, três dias antes da deflagração da operação, que prendeu Sérgio Cabral.

Jordão conversava com um interlocutor identificado como Luiz Rogério Magalhães.

No diálogo, Rogério diz. “Perderam o azimute. Mas meu amigo, olha aqui, canja de galinha e parrilla uruguaia, não mata ninguém não.”

“Não mata não, e vai ter gente para o aeroporto correndo, hein”, responde Jordão.

“É, canja de galinha e parrilla uruguaia não mata ninguém não, hein”, afirma Rogério.

Em outro trecho, Rogério diz. “Sem dúvida! Não, não! Mas olha aqui, canja de galinha e parrilla uruguaia não mata ninguém.”

“Não, eu vou comer essa parilla contigo, hein”, diz Wagner.

“É, isso aí. Rsrsrs. Forte abraço!”, se despede Rogério.

Na quarta-feira, 23, o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio, apontou ‘o efetivo risco de que o investigado (Wagner Jordão) em liberdade pode criar à garantia da ordem pública e à aplicação da lei penal, vez que manifestou nítida pretensão de fugir do País’.

“Acolho a representação ministerial para acrescentar à fundamentação da prisão preventiva do investigado Wagner Jordão Garcia, o efetivo risco de tentativa de fuga do investigado para o exterior, de maneira a assegurar a aplicação da lei penal nos termos dos artigos 312, caput e 313, I, ambos do Código de Processo Penal”, decidiu o magistrado.

Wagner Jordão Garcia, segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária, está preso na Penitenciária Bandeira Stampa, no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu.

Sérgio Cabral está preso na Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu. O ex-governador divide cela com mais cinco internos, de nível superior, que também foram presos na mesma operação: José Orlando Rabelo, Carlos Emanuel de Carvalho Miranda, Hudson Braga, Luiz Paulo Reis e Paulo Fernando Magalhães Pinto Gonçalves.

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