‘Vai soltar o Lula?’, ouve Gilmar no voo Brasília-Cuiabá

‘Vai soltar o Lula?’, ouve Gilmar no voo Brasília-Cuiabá

Da Redação

29 Janeiro 2018 | 13h38

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, foi novamente hostilizado, desta vez durante voo de Brasília a Cuiabá, sábado, 27. Passageiros o vaiaram e gritaram ‘fora, Gilmar, fora, Gilmar’. Ele foi questionado se ‘vai soltar o Lula, também’ – o ex-presidente foi condenado a 12 anos e um mês de prisão em regime fechado na Lava Jato, mas pode recorrer em liberdade.

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O ministro não respondeu às provocações.

O vídeo com as vaias e hostilidades a Gilmar foi publicado pelo site jurídico Migalhas.

+ ‘Poucos brasileiros conseguem entender o que o senhor está fazendo pelo Brasil’

Há duas semanas, de férias em Lisboa, o ministro foi abordado por brasileiras que também o hostilizaram.

Dois dias depois, ainda na capital portuguesa, o ministro foi elogiado por um homem, que disse que ‘poucos’ no Brasil poderão compreender seu trabalho.

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No voo de sábado, o clima ficou mais tenso, ainda, quando o comandante da aeronave alertou que iria chamar a Polícia Federal ‘para resolver qualquer diferença’. A aeronave ainda estava na pista.

“Precisa de polícia, rapaz! Cria vergonha!”, gritou um homem, se dirigindo ao ministro. “É vergonhoso.”
“Aqui tem cidadão de bem, ao contrário dos vagabundos que você solta”, gritou outro passageiro.
“Vai soltar o Maluf? Coitado, certa idade…”

+ ‘O senhor não tem vergonha na cara?’

“Vai soltar o Lula também, depois?”

“Vai, vai”

“E o Aécio?”

“Vai.”

“Uma vergonha para o Brasil, uma vergonha para o País.”

O comandante fez o alerta. “Peço que mantenham-se sentados, vou parar a aeronave em uma posição remota e aguardar a presença da Polícia Federal para resolver quaisquer diferença que possa…”

“Precisa de Polícia Federal? Tá fazendo coisa errada? Você é um homem público, todo mundo paga teu salário rapaz.”

COM A PALAVRA, GILMAR

O ministro não tem feito declarações sobre as provocações que recebe na rua. Ele tem dito que as manifestações ‘são normais’.

COM A PALAVRA, O INSTITUTO DE GARANTIAS PENAIS (IGP)

Em nota, subscrita por seu presidente, Ticiano Figueiredo, o Instituto de Garantias Penais (IGP), repudiou os ataques ao ministro Gilmar Mendes

“O Instituto de Garantias Penais (IGP) repudia as graves agressões contra o Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).”

“Lamentavelmente, os agressores ignoram que a defesa dos direitos fundamentais e garantias individuais, usada para ofender o Ministro, têm por destinatários todos os cidadãos, inclusive eles.”

“A prática que se tem tornado comum, de gravar agressões para depois divulga-las, tem a marca da covardia — já que não deixa ao agredido nenhuma chance de defesa.”

“O IGP deplora, igualmente, o repasse desses assaltos à reputação de pessoas que se veem saqueadas em sua honra sob imputações falsas e ilegítimas.”

“A sociedade não pode cair na armadilha de politizar a visão do funcionamento da Justiça, seja para aplaudi-la, seja para vaiá-la. A Justiça é a última trincheira em favor dos direitos do cidadão.”

“O IGP reconhece a lisura da conduta do ministro do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral.”

“A sua coragem e seu destemor frente ao populismo e à demagogia devem ser, isto sim, reverenciadas por todos.”

“Ao Ministro e ao seu trabalho, o IGP reserva seu voto de aplauso.”

Ticiano Figueiredo Presidente do Instituto de Garantias Penais

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