‘Vai ficar na minha senzala’, diz médico que acorrentou homem negro em Goiás e depois alegou ‘encenação teatral’

‘Vai ficar na minha senzala’, diz médico que acorrentou homem negro em Goiás e depois alegou ‘encenação teatral’

Polícia abre inquérito para investigar suspeita de racismo de Márcio Antônio Souza Júnior que postou em suas redes imagens de homem de 37 anos imobilizado em uma escola na zona rural na cidade de Goiás, interior do Estado

Jayanne Rodrigues

17 de fevereiro de 2022 | 13h38

Um homem negro de 37 anos teve os pés, os pulsos e o pescoço acorrentado pelo médico Márcio Antônio Souza Júnior, na zona rural de Goiás, município a 140 quilômetros de Goiânia. No vídeo divulgado na internet pelo próprio acusado, ele ironiza: “Ai ó, falei para estudar, ele não quer… E vai ficar na minha senzala”. Com a repercussão do caso, foi aberto um inquérito para investigar o crime de racismo. 

O responsável pela apuração é o delegado da cidade, Gustavo Cabral. Segundo a Polícia Civil de Goiás, o registro foi compartilhado nesta terça-feira, 15, na página pessoal do médico. Em uma tentativa de se retratar, Márcio Antônio fez um novo vídeo justificando que o episódio se tratava de uma brincadeira: “e aí, camarão! O povo está enchendo o saco. O que você fala disso?”, o homem responde: “tem nada de escravidão, não gente.”

 

No mesmo dia, um terceiro vídeo foi gravado pelo médico: “Gostaria de pedir desculpas se alguém se sentiu ofendido, foi uma encenação teatral”. A polícia informou que o homem acorrentado é funcionário do médico há três meses. 

COM A PALAVRA, O MÉDICO MÁRCIO ANTÔNIO SOUZA JUNIOR

A reportagem do Estadão tentou entrar em contato com o suspeito, mas até a publicação deste texto não houve retorno. O espaço está aberto para manifestação (jayanne.rodrigues@estadao.com).

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